MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

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Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após abrir em leve alta, o Ibovespa passou a cair acompanhando a virada de bolsas norte-americanas depois que a atividade industrial dos Estados Unidos medida pelo índice do Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês) veio mais fraca do que o esperado pelo mercado. Investidores também seguem esperando a votação da reforma da Previdência no Senado.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,66% aos 104.045,22 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava recuo de 0,83% aos 104.195 pontos.

“O ISM caiu bem e pode ter corroborado com essa piora lá fora, que acabou refletindo aqui. Claramente há um movimento de desaceleração de alguns setores da economia americana, mas ainda é preciso ver o dado no detalhe”, disse o sócio da RJI Gestão e Investimentos, Rafael Weber. O ISM caiu para 47,8 pontos em setembro, de 49,1 pontos (revisado) em agosto, sendo que analistas previam alta para 50,2 pontos.

Entre as ações, as que pesaram para a virada do índice foram as de bancos, que subiam mais cedo, como as o Itaú Unibanco. Na contramão, ações ligadas a commodities, como as da Vale, seguem fortes e impedem uma queda maior do Ibovespa.

Já entre as maiores quedas do índice estão as ações do setor de educação, Yduqs e Kroton, além das ações da Eletrobras e da Iguatemi. Ainda entre os destaques de queda estão as ações da BRF, já que há notícias de que está envolvida na 4 fase da Operação Carne Fraca, denominada operação Romanos, que apura crimes de corrupção passiva praticados por auditores fiscais federais em benefício da empresa.

Na cena doméstica, os investidores seguem aguardando a votação da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pela manhã e no primeiro turno no plenário durante à tarde. Para Weber, porém, a aprovação já está precificada, embora não descarte alguma melhora, para em torno dos 105 mil pontos, com a aprovação se confirmando e com o cronograma previsto sendo cumprido.

O dólar comercial sustenta alta frente ao real, mas desacelerou os ganhos após a divulgação de dados da indústria nos Estados Unidos com números mais fracos, o que pode refletir nos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), somado ao discurso de um dirigente alimentando as incertezas quanto a política monetária no país. Aqui, investidores aguardam mais avanços da reforma da Previdência.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,16%, sendo negociado a R$ 4,1630 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2019 apresentava avanço de 0,21%, cotado a R$ 4,169.

Os números da atividade industrial dos Estados Unidos medidos pelo Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês) caiu para 47,8 pontos em setembro, ante 49,1 pontos – em dado revisado – em agosto. O mercado previa 50,2 pontos. Para o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, os números podem levar membros do Fed a “reverem estratégias, já que o setor manufatureiro vem “enfrentando dificuldades”, pondera.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou a autoridade monetária pelos índices mais baixos. “Como eu previ, Jay Powell [Jerome, presidente do Fed] e o Fed permitiram que o dólar ficasse tão forte, especialmente em relação a todas às outras moedas, que nossas indústrias estão sendo negativamente afetadas. A taxa [de juros] está alta demais. Eles são seus próprios inimigos, não têm noção nenhuma. Patético!”, escreveu Trump no Twitter.

Ainda sobre o Fed, o presidente da unidade de Chicago da autoridade monetária comentou que o crescimento norte-americano deve ser lido como “sólido”, deixando dúvidas sobre futuros cortes de juros no país, ressalta a equipe econômica do Bradesco. Lá fora, ainda pesam as incertezas em torno do processo de impeachment aberto contra Trump.

Aqui, o mercado aguarda os avanços da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde o texto deve ser votado ainda hoje em primeiro turno. Para Faganello, senadores preocupam por não garantir a votação em segundo turno na próxima semana, o que elimina uma “cautela” local.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) sustentam ligeiras altas, em especial no trecho mais longo da curva a termo, acompanhando a valorização do dólar. Ainda assim, as movimentações são estreitas, com os investidores monitorando o andamento da análise da reforma da Previdência no Senado.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,055%, de 5,06% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 4,97%, de 4,95% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,07%, de 6,05%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,68%, de 6,67%, na mesma comparação.