MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em alta no último pregão de agosto na esteira da redução da tensão comercial entre China e Estados Unidos e do Produto Interno Bruto (PIB) maior que o previsto no Brasil, que já trouxeram maior otimismo ontem. Analistas também citam que investidores e gestores estão fazendo ajustes de carteiras e podem “puxar” o índice para fechar o mês com melhores resultados, o que pode ajudar o Ibovespa a anular as perdas que mostrava no acumulado do mês.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,55% aos 101.078,90 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava avanço de 0,15% aos 101.710 pontos.

“O último pregão do mês sempre tem alguma oscilação e forças atuando, principalmente, de fundos que querem melhorar a performance. No mês, a Bolsa também ainda cai e, entre aspas, existe essa meta e pressão para zerar essa perda”, disse o sócio-presidente da DNAInvest, Alfredo Sequeira. Até ontem, o índice caía 1,26% no mês.

Além dos ajustes feitos por fundos e investidores, ajudam o Ibovespa a alta dos principais mercados acionários no exterior, que ainda refletem sinalizações dadas pela China ontem de que está disposta a fechar um acordo comercial com os Estados Unidos.

Na cena doméstica, o PIB acima do esperado ainda impulsiona algumas ações ligadas ao consumo doméstico, enquanto investidores monitoram o andamento da reforma da Previdência e o possível anúncio da proposta do governo para o orçamento de 2020.

Entre as maiores altas do Ibovespa, estão as ações da JBS, que têm mostrado bons resultados e podem se beneficiar de maiores preços de proteínas em função da gripe suína na China. Ontem, a Indonésia também afirmou que retomará importações da carne brasileira, habilitando 10 plantas no Brasil. Há rumores de que cinco plantas são da Minerva, mas não se sabe a quem pertence as demais.

Ainda entre as maiores altas estão os papéis da Cyrela, das Lojas  Americanas, que estuda parceria com a BR Distribuidora para gestão de lojas de conveniência, e da Vale, que reflete a forte alta dos preços do minério de ferro hoje.

Na contramão, os papéis da BRF, da Braskem e do Pão de Açúcar estão entre as maiores quedas. A BRF afirmou hoje que avalia constantemente a captação de recursos, inclusive, no exterior.

O dólar comercial tem queda firme frente ao real na primeira parte dos negócios, abaixo dos R$ 4,15, com investidores locais à espera da formação de preço da taxa Ptax de fim de mês, às 13 horas, e acompanhando um viés mais positivo no exterior para as moedas de países emergentes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,86%, sendo negociado a R$ 4,1360 pata venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava recuo de 0,74%, cotado a R$ 4,138.

Após um mês turbulento, o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, destaca o “tom positivo” vindo lá de fora no último pregão do mês. “Enquanto os bancos vão finalizar a guerra pela formação da Ptax”, comenta.

Mais cedo, foram divulgados os dados de gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) e renda dos Estados Unidos em julho, com altas de 0,6% e de 0,1%, respectivamente.

“Os gastos subiram solidamente, em movimento que pode não ser sustentável diante da moderação nos ganhos salariais do trabalhador, e das incertezas que a guerra comercial traz. Além disso, os Estados Unidos enfrentam falta de vigor nos investimentos empresariais e na manufatura”, comenta Faganello.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, ampliando o movimento visto ontem, com os investidores aproveitando a ausência de notícias negativas para ajustar os prêmios antes do fim do mês. O cenário externo positivo e a queda do dólar para abaixo de R$ 4,15, favorecem o movimento.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,435%, de 5,465% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 5,58%, de 5,62%; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,64%, de 6,72%, após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,15%, de 7,22%, na mesma comparação.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com