MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou ganhos após a abertura do mercado norte-americano impulsionado por sinalizações positivas da China sobre negociações comerciais com os Estados Unidos e pelo Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado no Brasil.  A situação da Argentina, porém, está no radar e pode ajudar a trazer volatilidade para mercados emergentes, depois que o país decidiu atrasar o pagamento da sua dívida com credores institucionais.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,09% aos 99.263,94 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava avanço de 1,52% aos 99.965 pontos.

“Está tendo uma melhora no mundo todo hoje, com bolsas da Europa e dos Estados Unidos subindo mais de 1%. O PIB tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos vieram bons, foi um alento”, disse o diretor da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

No exterior, os principais mercados acionários sobem depois que o Ministério do Comércio da China disse que Pequim e Washington permanecem “em comunicação efetiva” e que provavelmente vão se reunir em setembro, conforme agendado antes dos anúncios pelos dois países sobre a imposição de novas sobretaxas. Já o PIB dos Estados Unidos mostrou alta de 2% no segundo trimestre em taxa anualizada, na segunda leitura, vindo dentro do esperado pelo mercado.

Já na cena local, o destaque também é o PIB, que subiu 0,4% no segundo trimestre frente ao trimestre anterior, resultado acima da mediana projetada pelo Termômetro CMA, de alta de 0,20%, afastando temores de uma recessão técnica no Brasil.

A melhora da economia doméstica mostrada pelo PIB impulsiona ações de diversos segmentos que dependem da demanda local, como dos setores de consumo, varejo, serviços e construção. Por isso, estão entre as maiores alta do Ibovespa as ações da MRV, Via Varejo, Usiminas, B2W e Yduqs.

No caso da Usiminas ainda há influência dos preços do minério de ferro, que subiu após as declarações da China, o que afeta inda papéis de outras siderúrgicas e os da Vale. Outras ações ligadas a commodities também têm um dia positivo, como as da Petrobras e da JBS.

Na contramão, mas maiores quedas são da Qualicorp, da BRF e da Azul. Segundo notícia da “Agência Estado”, a BRF estaria se preparando para fazer uma captação externa, que pode alcançar US$ 1 bilhão.

Com poucas oscilações, o dólar comercial opera sem direção única frente ao real refletindo o cenário misto no exterior entre as moedas de países emergentes após a divulgação do PIB dos Estados Unidos, enquanto investidores seguem atentos à situação econômica da Argentina.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,33%, sendo negociado a R$ 4,1680 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava ligeiro recuo de 0,07%, cotado a R$ 4,166.

A agenda econômica prevalece na precificação dos ativos após os dados do PIB dos Estados Unidos ficarem abaixo do esperado no segundo trimestre do ano, a +2,0%, mas com desaceleração já esperada pelo mercado frente ao primeiro trimestre, ressalta a analista da Toro Investimentos, Luana Nunes.

“Tanto que quando os dados saíram, o dólar pouco oscilou. Essa desaceleração já era esperada e o dado ficou levemente abaixo do esperado. Porém, claro, investidores seguem bastante atentos aos números dos Estados Unidos já que dão uma leitura dos impactos da guerra comercial travada com a China”, diz. Para um operador de câmbio de uma corretora local, a economia norte-americana começa a emitir sinais de desaceleração, um adicional de aversão ao risco.

Em contrapartida, o PIB brasileiro, com crescimento de 0,4% no período, surpreendeu analistas e o mercado, ante expectativa de +0,2%. “Esse resultado muda todo o cenário da perspectiva da nossa economia para os próximos trimestres, inclusive influencia na decisão do Banco Central se cortará ou não a taxa de juros nos próximos meses”, ressalta.

Ainda no exterior, a situação na Argentina gera receio entre os investidores em meio à possibilidade de um novo pedido de moratória, diz a analista. “Não deixa de contaminar as economias emergentes, além de impactar o Mercosul e a relação comercial com o Brasil. Nosso mercado está atento às condições financeiras dos argentinos”, comenta.

Nunes acrescenta que o comportamento do dólar, com intervalo entre R$ 4,14 e R$ 4,17 na sessão, reforça que o mercado está respeitando as intervenções do Banco Central nos últimos dias colocando no mercado dólares da reserva cambial do País. “O BC segue atento e já mostrou que, caso o dólar busque novamente os R$ 4,20 [na terça-feira, a moeda chegou à máxima de R$ 4,1960 – na maior alta de setembro do ano passado], vai entrar com mais leilões”, diz.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) sobem desde a abertura do pregão, reagindo ao crescimento acima do esperado da economia brasileira no segundo trimestre deste ano. Os números do PIB e o comportamento do dólar, que segue acima de R$ 4,00, calibram as apostas em relação ao rumo da Selic.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,495%, de 5,475% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,70%, de 5,64%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,81%, de 6,75% após os ajustes da véspera; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,31%, de 7,26%, na mesma comparação.

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