MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após abrir em queda, o Ibovespa passou a subir acompanhando uma melhora das bolsas norte-americanas, embora permaneçam incertezas sobre a guerra comercial e sobre uma possível desaceleração da economia mundial, o que pode continuar a trazer volatilidade. As ações de bancos, da Vale e da Petrobras contribuem para a virada do índice.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,19% aos 97.469,72 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava avanço de 0,34% aos 98,170 pontos.

“Não vi um motivo para essa virada, mas acredito que o índice está tentando se recuperar, ensaiando uma correção, puxado por bancos e Petrobras, já que o petróleo está subindo”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor. “Mas não dá para garantir que o índice vai seguir assim, está muito volátil”, completou.

No exterior, as bolsas norte-americanas também puxam a tentativa de recuperação, com os índices Dow Jones e S&P mostrando leve alta após abrirem em baixa. Ontem, o dia foi de forte volatilidade, com a inversão da curva de juros norte-americana voltando a trazer temores de uma recessão, enquanto não há novidades sobre a tensão comercial entre China e Estados Unidos.

A incerteza externa tem pressionado também o dólar, o que fez o Banco Central (BC) atuar ontem com um leilão de dólares no mercado à vista de surpresa. Para Santos, a mudança atuação do BC também está no radar dos investidores e tem potencial para adicionar volatilidade ao Ibovespa.

Entre as ações, as de bancos tentam se recuperar, com os papéis do Itaú Unibanco passando a subir depois de abrirem em queda e as do Bradesco reduzindo perdas. Os papéis da Vale também ensaiam uma alta e operam perto da estabilidade, enquanto os da Petrobras aceleram ganhos diante da alta dos preços do petróleo, apesar de notícia de vazamento de óleo do navio-plataforma Rio de Janeiro, na Bacia de Campos.

Já entre as maiores altas do Ibovespa estão as ações da B2W, da Raia Drogasil e da JBS. A JBS informou que a Pilgrim’s Pride, sua controlada, comprou a Tuilp Company, empresa líder na produção de carne suína e alimentos preparados no Reino Unido, por 290 milhões de libras (US$ 354 milhões). Na contramão, as maiores perdas são da Kroton, da Sabesp e da CVC.

Na cena doméstica, as atenções se voltam para o andamento da reforma da Previdência, com expectativa pela leitura do parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta manhã. O autor do documento, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) já indicou ontem que propôs algumas modificações. Entre as mudanças estão a supressão de todos os trechos da reforma da Previdência referentes ao Benefício de Prestação Continuada (BPS), a reinclusão de estados e municípios, e a cobrança de contribuição previdenciária do setor agroexportador e de entidades filantrópicas.

Enquanto o dólar à vista oscila sem rumo único, o contrato da moeda no mercado futuro tem alta firme frente ao real acompanhando o exterior, onde a moeda opera forte. Isso mesmo após a atuação do Banco Central (BC) com operações de venda de dólares no mercado à vista, com compromisso de recompra futura – conhecido como leilão de linha, e swap cambial reverso.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava ligeira alta de 0,12%, sendo negociado a R$ 4,1630 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 0,84%, cotado a R$ 4,162.

Para o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, o exterior dita os rumos da moeda em mais uma sessão com a continuidade da inversão da curva de juros dos Estados Unidos. Os títulos de dívida do governo norte-americano, as Treasuries de dois anos estão acima dos vencimentos de 10 anos, o que “historicamente”, indica uma recessão, dizem os analistas.

“A inversão da curva permanece e gera preocupação com a acentuação hoje, o que causa desconforto global, porém, pontual. A guerra comercial [entre Estados Unidos e China] somando ao temor de recessão no país e da economia mundial fortalece o dólar lá fora”, diz.

Ele acrescenta que esse movimento externo “limita” as ações do Banco Central. “Isso mostra que o BC talvez tenha que defender mais vezes um dólar mais baixo do que já fez anteriormente. Ele está tentando [conter o avanço da moeda], mas enquanto os fatores externos prevalecerem, talvez seja um pouco mais difícil abrindo espaço para o dólar buscar o patamar de ontem, de R$ 4,19”, avalia o analista.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em alta firme, ampliando a recomposição de prêmios, principalmente nos vencimentos mais longos. Os investidores calibram as apostas em relação ao rumo da Selic, em meio às intervenções do Banco Central no mercado de câmbio.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,48%, de 5,475% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,64%, de 5,58%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,73%, de 6,66% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,23%, de 7,14%, na mesma comparação.

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