MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após abrir em alta acompanhando os principais mercados acionários no exterior, o Ibovespa passou a cair com a volta de um maior movimento de busca por proteção diante de incertezas em relação à guerra comercial, o que mexe também as moedas de países emergentes hoje.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,75% aos 96.926,14 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava recuo de 0,84% aos 97.560 pontos.

“As moedas de emergentes estão sofrendo de novo hoje. Acredito que é receio do cenário internacional mesmo, mercado buscando proteção. Além disso, os locais estão diminuindo posição na compra E há algumas realizações de lucros”, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

O dólar passou a subir ante o real e atingiu os R$ 4,15, com a moeda norte-americana ainda mostrando fortes altas frente ao peso mexicano e ao peso argentino.  Nesta semana, uma comissão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) deve voltar à Argentina para a revisão das contas do país.

As bolsas norte-americanas também reduziram a alta com investidores mostrando pouca confiança na retomada de negociações comerciais entre China e Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse, durante o G-7 (grupo composto por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), que as negociações podem ser retomadas em breve depois que a China pediu, tentando amenizar preocupações com a questão.

No entanto, no final da semana passada, a tensão entre os dois países cresceu rapidamente, com a China afirmando que aplicará tarifas sobre US$ 75 bilhões de produtos importados dos Estados Unidos, que respondeu a medida elevando tarifas a produtos chineses. Trump também deve voltar a falar durante o G-7, o que pode trazer volatilidade.

O dólar comercial opera em alta firme frente ao real, no maior patamar do ano – acima de R$ 4,15 – com a piora no exterior influenciada pela disputa comercial entre Estados Unidos e China após retaliações dos dois lados com o anúncio de elevação das taxas sobre produtos importados dos norte-americanos e dos chineses.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,63%, sendo negociado a R$ 4,1500 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 0,69%, cotado a R$ 4.151.

“Na abertura, a gente viu um ajuste da forte queda [do real] na sexta-feira. Parou de prevalecer esse ajuste e a ficha dos investidores voltou a cair de que a guerra comercial está escalando, caminha para piorar com a imposição de tarifas dos dois lados, o que traz mais aversão ao risco e estresse”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.

Para o analista da Quantitas, Matheus Gallina, há “uma sensibilidade maior” em relação às tensões comerciais. Ele destaca ainda um ruído local que corrobora para o cenário mais negativo do real frente ao dólar. Para ele, o embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron, a respeito das queimadas na Amazônia ajudam alimentar essa piora.

Gallina acrescenta que os dados de contas externas em julho, divulgados há pouco, abaixo do esperado, complementam a valorização da moeda estrangeira, apontando déficit em conta corrente no Brasil de US$ 9,035 bilhões na comparação com o mesmo período de 2018, alta de 105,5%. Ainda segundo o Banco Central (BC), no acumulado de janeiro a julho, houve déficit de US$ 21,6 bilhões, alta de 76,84% em base anual.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) apagaram a queda ensaiada logo na abertura do pregão e passaram a subir, principalmente nos vértices mais longos. O movimento acompanhou a mudança de sinal do dólar, para o positivo, com a moeda norte-americana aproximando-se da faixa de R$ 4,15.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,44% de 5,41% no ajuste anterior, na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,52%, de 5,44%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,57%, de 6,45% ao final da semana passada, após ajuste; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,07%, de 6,94%, na mesma comparação.

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