MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – As repostas do presidente norte-americano Donald Trump às tarifas anunciadas hoje pela China sobre produtos importados do país aumentaram a aversão ao risco, derrubando as bolsas norte-americanas e fazendo o Ibovespa aprofundar ainda mais as perdas. Trump elevou o tom e prometeu responder às tarifas da China nessa tarde, além de conclamar empresas dos Estados Unidos a procurarem alternativas ao mercado chinês.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 2,56% aos 97.442,05 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em outubro de 2019 apresentava recuo de 2,57% aos 98.210 pontos.

Trump não deu detalhes de como será essa resposta, mas reiterou por meio de sua conta no Twitter que os Estados Unidos não precisam da China. “Ficaremos bem melhor sem ela”, afirmou. Trump também disse estar “ordenando” que todas as empresas norte-americanas com unidades de produção na China a pararem com as operações no país.

Nesta manhã, a China anunciou que adotará tarifas de 5% e 10% em importações equivalentes a US$ 75 bilhões em produtos norte-americanos para retaliar a decisão do governo dos Estados Unidos de sobretaxar cerca de US$ 300 bilhões em produtos chineses a partir de setembro. O país ainda disse que pretende aplicar tarifas a carros norte-americanos em dezembro.

“Não vejo uma solução no curto prazo para essa guerra comercial, vamos ter que conviver com isso e talvez até com aprofundamento das tensões”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

A escalada da tensão comercial entre os dois países acabou ofuscando o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, no qual reconheceu o aumento da incerteza comercial e piora do cenário internacional, afirmando que o Fed agirá de forma apropriada para sustentar a economia.

O tom da resposta também derrubou ações de commodities, com as ações da Vale e de siderúrgicas, como Usiminas passando a cair depois de subirem mais cedo refletindo a alta dos preços do minério de ferro. As ações da Petrobras, que tentavam uma recuperação, também passaram a cair com mais força pressionadas pela queda dos preços do petróleo. Os papéis de bancos foram outros que ampliaram perdas, com destaque para Banco do Brasil.

O dólar oscila forte ao longo da manhã e opera sem rumo único frente ao real após o tão aguardado discurso do presidente do Fed no simpósio de Jackson Hole, porém, rebatido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,83%, sendo negociado a R$ 4,1130 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 1,03%, sendo cotado a R$ 4,114.

“No primeiro momento, o mercado entendeu que poderia haver redução [da taxa de juros], depois, porém, Powell manteve o discurso dizendo que agirá apropriadamente observando a economia do país”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. Apesar da expectativa do mercado com esse discurso, a China surpreendeu o mercado. “Ninguém esperava essa retaliação”, diz Spyer.

“Pelo menos ao não repetir a expressão ‘ajuste de meio ciclo’, Powell abre a chance de ‘agir conforme apropriado’ e parece apropriado um corte [de juros] na reunião de setembro. Por outro lado, ele também não quis se comprometer em novos cortes até o fim do ano, por isso também, o impacto do discurso não foi tão abrangente como poderia”, avalia o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

No discurso, Powell reiterou que o Fed está “cuidadosamente monitorando os acontecimentos conforme avaliamos suas implicações sobre a perspectiva dos Estados Unidos e o rumo da política monetária. As três semanas desde a reunião de julho foram cheias de eventos”.

Após o encontro do comitê de política monetária do Fed no fim do mês passado, a guerra comercial entre Estados Unidos e China se acirrou. Hoje mesmo, o governo chinês anunciou que aplicará tarifas de 5% e de 10% sobre US$ 75 bilhões de produtos norte-americanos em retaliação à decisão do governo norte-americano no início do mês em sobretaxar cerca de US$ 300 bilhões em produtos da China a partir de setembro.

Os chineses pretendem tarifar norte-americanos em duas etapas: em setembro e em dezembro. “Apesar de o discurso [de Powell] ter sido amplamente aguardado, a retaliação da China está prevalecendo na precificação dos ativos”, avalia o diretor da Mirae.

Porém, a postura de Powell e do banco central norte-americano chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos. Em seu perfil no Twitter, Trump questionou se o maior inimigo do país é “Jay Powell ou presidente Xi [Jinping, da China]”.

Ele escreveu ainda que o “Fed não fez nada, como sempre. É incrível como eles podem ‘falar’ sem saber ou perguntar o que eu irei fazer, algo que será anunciado em breve. Temos um dólar forte e um Fed fraco. Eu irei trabalhar ‘brilhantemente’ com os dois e os Estados unidos irão se sair muito bem…”, concluiu.

A declaração de Trump refletiu em mais volatilidade na moeda, que operava renovou mínimas a R$ 4,0520 (-0,66%). Lá fora, o Dollar Index tinha queda de 0,16%, acima dos 98,000 pontos. Entre as principais moedas de países emergentes, o movimento é misto frente ao dólar; o peso mexicano cai ao redor de 0,50%.

As taxas dos contratos futuros de juros voltaram a subir, acompanhando o vaivém do dólar. A moeda norte-americana iniciou a sessão pressionada pela retaliação comercial da China aos Estados Unidos, o que pesou na curva a termo, mas passou a cair após o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, aliviando os negócios com DIs, que mostram leves oscilações.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,405%, de 5,385% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,45%, de 5,38%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,47%, de 6,37%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,90%, de 6,88%, na mesma comparação.

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