MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após oscilar em torno da estabilidade perto da abertura do pregão, o Ibovespa tenta se firmar no campo negativo acompanhando uma leve piora das bolsas norte-americanas, mostrando maior cautela à espera do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, amanhã. O índice também devolve parte da alta de 2% de ontem, que refletiu a euforia com expectativas de privatizações, com investidores avaliando melhor o plano apresentado pelo governo federal.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,59% aos 100.600,25 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava recuo de 0,77% aos 101.360 pontos.

As bolsas norte-americanas, que abriram em alta, passaram a cair com preocupações sobre como pode ser o discurso de Powell amanhã. O mercado espera que ele possa confirmar expectativas de mais uma queda de juros, no entanto, há dúvidas sobre qual será o tom do discurso depois que a ata do Fed não trouxe grandes novidades ontem, assim como a ata do Banco Central Europeu (BCE) hoje. “O mercado espera tanto a fala do Powell, que pode acabar se frustrando”, alerta o gerente da mesa de operações da H.Commor, Ari Santos.

Para ele, o Ibovespa também corrige um pouco da euforia de ontem, já que o governo apresentou uma lista de noves empresas que devem ser privatizadas, e não de 17 como tinha afirmado o ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia anterior. A avaliação é que algumas empresas também podem demorar para serem privatizadas, embora investidores vejam como positivo o comprometimento do governo com uma agenda de privatizações. A possível venda da Petrobras, noticiada em matéria do jornal “Valor Econômico” ontem, também não chegou a ser confirmada pelo governo e seria um processo difícil.

“Tem muita coisa positiva, mas o mercado se empolgou demais. A privatização de algumas empresas pode ser mais complicada, o caso da Petrobras envolve vários fatores, tem sindicatos, o Congresso, a briga é muito forte, é muito difícil e demoraria alguns anos”, avalia Santos.

Entre as maiores quedas do Ibovespa hoje estão as ações do Magazine Luiza, que devolvem altas recentes. Também recuam os papéis da Gol e da CSN. Na contramão, as maiores altas são da BRF, que têm se beneficiado de melhores projeções para o setor e para preços diante da gripe suína na China. Também avançam as ações da MRV, que ainda reflete a nova linha de financiamento lançada pela Caixa Econômica, indexada ao IPCA.

Depois de oscilar na abertura dos negócios, o dólar firmou alta frente ao real operando acima de R$ 4,05, com o exterior novamente avesso ao risco. Apesar da forte expectativa para o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed no simpósio de Jackson Hole, o evento já começou e dirigentes do Fed também discursam no evento.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,59%, sendo negociado a R$ 4,0550 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 0,74%, cotado a R$ 4,058.   

O estrategista-chefe da BCG Corretora, Juliano Ferreira, destaca a fala do presidente da unidade do banco central da Filadélfia, Patrick Harker, vista como “mais hawkish do que neutra, como normalmente ele é”, diz. Para Ferreira, pode ser um indício de que Powell tenha discurso não tão “suave” (dovish) como o mercado espera.

“Harker reiterou que é preciso avaliar as condições econômicas dos Estados Unidos e global. Com isso, dá a entender que o Powell não deve falar que o Fed deverá dar um alívio prolongado nos juros, tendo tom mais neutro do que dovish”, diz.

Aqui, logo após a abertura dos negócios, o Banco Central (BC) realizou pelo segundo dia o leilão de conjugado de venda de dólar à vista e swap cambial reverso com o volume total de US$ 550,0 milhões aceito. “O resultado do leilão surpreendeu um pouco o mercado e fez a moeda cair, mas pontualmente”, diz. 

“O fato de o BC aceitar a taxa que o mercado colocou mostra que ele está mais disposto a colocar mais dólar no spot [mercado à vista] para aliviar a cotação”, acrescenta. Porém, não foi o suficiente para segurar o ímpeto da moeda, que renovou máximas ao longo da manhã buscando o patamar de R$ 4,06.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) tentam seguir em queda, após o resultado mais fraco que o esperado da prévia da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA-15) neste mês reforçar a perspectiva de novos cortes na Selic, o que favorece os vencimentos mais curtos. Mas a alta do dólar reduz o ímpeto da curva a termo, principalmente no trecho mais longo.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,385%, de 5,395% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,38%, de 5,36%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,38%, de 6,34% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 estava em 6,88%, de 6,85%, na mesma comparação.

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