MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou ganhos e sobe mais de 1% impulsionado pelos ganhos de ações de estatais, em meio a expectativas de privatizações que podem ser anunciadas, entre elas a da Eletrobras. Os papéis da Vale, que caíam mais cedo, também passaram a subir.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,39% aos 100.601,58 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava avanço de 1,65% aos 101.385 pontos.

As ações da Eletrobras – que já subiam após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que o governo anunciaria hoje 17 privatizações – dispararam e passaram a registrar a maior alta do Ibovespa diante de novas declarações de Guedes e também do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Guedes e Maia disseram que estudam um projeto de lei para fazer a privatização da Eletrobras, que poderia sair em breve. Segundo Maia, a empresa está lutando para sobreviver e não se sustentará se não mantive ritmo de investimentos.

Segundo o analista da Guide Investimentos, Luís Gustavo Pereira, a expectativa era que a venda da estatal fosse realizada ou nos moldes propostos no governo de Michel Temer, com uma capitalização e depois privatização, ou mesmo com uma diluição da participação do governo em bolsa de valores, como foi feito com a BR Distribuidor. “Em todo caso, a noticia é positiva para a estatal, que deve ter o seu processo de privatização finalizado no início de 2020”, afirmou em relatório.

Outro destaque de alta são as ações do Banco do Brasil, que aceleraram alta também na esteira de declarações sobre privatizações. Ao lado das estatais, as ações de construtoras, como Cyrela e MRV estão entre as maiores altas do Ibovespa. Ontem, a Caixa Econômica anunciou uma nova linha de crédito imobiliário com custo indexado ao Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Mesmo ações que caíam mais cedo, como as da Vale, que refletiam a queda dos preços do minério de ferro, passaram a subir.

O cenário externo também dá sustentação à alta de hoje do Ibovespa, com os principais mercados acionários mostrando uma recuperação após quedas de ontem. “As bolsas estão firmes lá fora, os problemas políticos na Itália não tiveram reflexo ainda, e estamos acompanhando”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

Apesar da espera pela pela ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) hoje, que será divulgada às 15h, há receio de que o documento não traga muitas novidades, elevando ainda mais as expectativas para o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, na próxima sexta-feira, quando pode dar uma visão mais atualizada do cenáriol.

O dólar comercial mantém queda frente ao real, mas com poucas oscilações, acompanhando o exterior. As operações do Banco Central realizadas na primeira parte dos negócios em que ofertou US$ 550,0 milhões no mercado pouco surtiu efeito no mercado doméstico.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,61%, sendo negociado a R$ 4,0270 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana apresentava recuo de 0,67% aos 4,029 pontos.

Para a economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack, caso o Banco Central veja que esse instrumento não foi o mais adequado, “ele deverá reagir de outra maneira”, diz. Ela acrescenta que o mercado, junto ao BC, está vendo como essas operações vão funcionar. “É tudo recente, foi a primeira operação. É preciso acompanhar os próximos dias. O próprio BC deve tecer algum comentário sobre essa medida. Isso pode esclarecer algum ruído”, reforça.

Para o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, o impacto foi limitado. “Se por um lado o BC oferece até US$ 550,0 milhões, absorvidos parcialmente, no mercado à vista, por outro, ao realizar o swap reverso, melhora a liquidez no mercado à vista e reduz no futuro”, comenta.

Porém, os analistas ressaltam a influência do exterior, com alívio generalizado que contamina principalmente, os mercados de países emergentes. “Hoje é dia de recuperação na esteira da divulgação da ata da última reunião do Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano]”, diz a economista.

Ela acrescenta que, após a ata, o dólar pode até reduzir as perdas caso o documento venha com um tom mais “hawkish”, indicando uma atuação mais pontual do Fed. “À tarde, pode haver alguma mudança de direção dos ativos”, ressalta. Faganello, porém, endossa que a ata “não deve trazer grandes novidades” sobre o que vem pela frente em relação ao juro nos Estados Unidos.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, porém em ritmo moderado, uma vez que o dólar continua cotado acima de R$ 4,00, apesar da estreia dos leilões do Banco Central no mercado de câmbio. O ambiente externo mais ameno ao risco ainda favorece o fechamento da curva a termo, antes da ata da reunião de julho do Federal Reserve, à tarde. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,39%, de 5,43% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,38%, de 5,44%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,37%, de 6,44% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,88%, de 6,95%, na mesma comparação.

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