MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa chegou a cair mais de 1% e ameaçou a perder os 98 mil pontos diante de uma piora no cenário externo, com investidores buscando proteção e saindo de mercados emergentes em meio ao receio de desaceleração da economia global. No entanto, o índice segue mostrando volatilidade e já reduziu perdas.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,28% aos 99.187,99 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava recuo de 0,12% aos 100.050 pontos.

Segundo o diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer, o movimento de aversão ao risco global continua hoje. Ontem, o Ibovespa passou a cair diante de uma forte busca por dólares, que fez a moeda encostar em R$ 4,07, em um movimento de saída de emergentes. Investidores estão esperando sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) nesta semana, que possam indicar continuidade da taxa de juros diante de temores de uma desaceleração mais fortes da economia mundial. Amanhã, as atenções estarão voltadas para a ata do Fed e na sexta-feira para a participação do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole.

O sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, destaca que também está no radar a situação da Argentina, com nova queda da bolsa do país. “O cenário lá fora está pesando na Argentina e levando a gente”, disse.

Ainda no exterior, o mercado pode observar as bolsas europeias, que ampliaram perdas depois que o primeiro-ministro italiano declarou o fim do governo de coalização no país.

O dólar à vista oscila frente ao real, chegando a ensaiar uma alta, acompanhando o exterior onde o mercado acionário piorou após a abertura das bolsas nos Estados Unidos. O viés negativo, principalmente para as moedas de países emergentes, se mantém ainda na esteira de temos de desaceleração da economia global e com investidores atentos aos bancos centrais.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,73%, sendo negociado a R$ 4,0390 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava recuo de 0,89%, cotado a R$ 4,042.

Para o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, a queda mais intensa na abertura do mercado foi uma “trégua pontual” nos ativos de países emergentes em correção e com parte do mercado global sem direção definida. O atual cenário das divisas emergentes é misto frente ao dólar, com o real tendo uma das melhores performances entre elas.

“Quando o dólar chegou ao patamar de R$ 4,03 [mínima do dia], teve uma boa compra por parte do mercado, que depois virou para venda no patamar de R$ 4,07”, diz Gomes. Ele acrescenta que a volatilidade deverá se manter nos próximos dias.

“O dólar tem potencial para chegar ao nível de R$ 4,10 nesta semana a depender da reação do mercado com as operações do Banco Central amanhã. Há uma curiosidade muito grande para ver o que acontecerá com esses lotes de dólar do BC”, diz. A partir de amanhã e a princípio, até o dia 29, o BC vai ofertar dólar no mercado à vista e, simultaneamente, no mercado futuro.

As taxas dos contratos futuros de juros perderam força de alta, sob impacto da piora no cenário externo, que apagou a queda ensaiada pelos DIs logo após a abertura do pregão. Ainda assim, a queda do dólar em relação ao real inibe o movimento positivo da curva a termo nacional.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,435%, de 5,445% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,45%, de 5,46%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,44%, de 6,43% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 estava em 6,95%, de 6,93%, na mesma comparação.

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