MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em alta acompanhando o maior otimismo no cenário externo após anúncios de estímulos na China e na Alemanha. No entanto, o índice já reduziu ganhos em relação à abertura e mostra alguma volatilidade em função do vencimento de opções sobre ações e com investidores mostrando alguma cautela antes de uma semana cheia.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,26% aos 100.068,76 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava estabilidade aos 100.870 pontos.

“O vencimento de opções sobre ações pode trazer alguma volatilidade, a gente tem certa briga nesses dias, que pode afetar principalmente ações mais líquidas. Mas não devemos fugir da tendência global, tendemos a segurar a alta acompanhando lá fora”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo. Para Zuffo, também há uma certa reprecificação de papéis que subiram muito recentemente, além de ainda persistir alguma cautela em relação à guerra comercial e à desaceleração da economia global, apesar dos estímulos anunciados.

O Banco do Povo da China (Pboc, o banco central do país) anunciou no final de semana uma reforma no mecanismo de taxa de juros, para refletir melhor as taxas de juro reais do mercado e reduzir os custos de financiamento para as empresas. Além disso, ontem, o ministro de Finanças da Alemanha sugeriu que o país pode liberar 50 bilhões de euros em gastos extras para estimular a economia, relatou a “Bloomberg”, depois que dados da semana passada mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha no segundo trimestre deste ano caiu 0,1%.

A volatilidade também pode voltar ao longo da semana, já que há grande expectativa para a participação do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole na próxima sexta-feira, quando serão buscadas sinalizações sobe mais um possível corte de juros. Investidores também vão esperar a ata do Fed e do Banco Central Europeu (BCE).

Após a abertura dos negócios nos Estados Unidos, o dólar comercial passou a subir frente ao real e chega a R$ 4,04 em meio à saída de recursos estrangeiros do país e com a tensão que prevalece no exterior desde a semana passada envolvendo a guerra comercial entre norte-americanos e chineses, longe de um desfecho e cautela à espera de bancos centrais. A moeda local acompanha a forte desvalorização das principais moedas de países emergentes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,94%, sendo negociado a R$ 4,0430 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2019 apresentava avanço de 0,87%, sendo cotado a R$ 4,046.

“Tem tido uma saída interessante de recursos de fundos estrangeiros do País, o que fortalece a alta da moeda no mercado local, além de um desconforto do mercado global à espera do que Jerome Powell [presidente do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos] pode falar no fim da semana”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Powell participará do simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira. Na quarta, porém, o Fed divulgará a ata da última reunião da autoridade monetária, no fim de julho, o que para o diretor da corretora, “merece atenção” já que pode sinalizar a decisão da autoridade monetária para a reunião de setembro.

“Os mercados esperam que Powell dê sinais claros sobre a queda no juro em setembro, se porventura ele não o fizer, o sentimento nos negócios tende a piorar”, diz o operador de câmbio da Advanced, Alessandro Faganello.

Ele acrescenta que a declaração do secretário de comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, de que o governo norte-americano está “muito incomodado” com parte da força do dólar que “se deve à política monetária do Fed”, corrobora para os holofotes se direcionarem às declarações de membros do banco central do país. “Sobretudo de Powell na sexta-feira”, reforça.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com leves oscilações, mas substituíram o viés de baixa exibido logo na abertura do pregão e passaram a ensaiar um viés positivo. O movimento acompanhou a mudança de sinal do dólar, que é cotado em alta, acima de R$ 4,00, antes de eventos envolvendo os bancos centrais nesta semana.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,415%, de 5,43% no ajuste de sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,39%, de 5,39%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,37%, de 6,37% após ajustes ao final da semana passada; e o DI para janeiro de 2025 estava em 6,87%, de 6,87%, na mesma comparação.

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