MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Logo após a abertura, o Ibovespa ampliou perdas e passou a cair mais de 1% reagindo à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre prisão após condenação em segunda instância, o que pode resultar na soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário externo mais cauteloso, com incertezas sobre os avanços nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos, e alguns balanços corporativos também pesam sobre o índice.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,77% aos 108.729,67 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2019 apresentava recuo de 0,65% aos 109.230 pontos.

“Juntou um pouco de vários fatores, como a decisão do STF, a queda de commodities e a frustração com leilão de petróleo esta semana, que estão levando a uma realização de lucros hoje. Mas acho que está razoavelmente tranquilo até, poderia ser pior”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Álvaro Bandeira. Ontem, o Ibovespa chegou a renovar recordes se recuperando da decepção com o megaleilão do petróleo na quarta-feira.

Já o STF decidiu ontem à noite, or 6 votos a 5, que o início do cumprimento da pena de prisão só pode acontecer quando houver trânsito em julgado, ou seja, quando não houver mais recursos cabíveis ao réu. A decisão abrange 4.895 pessoas presas, e cada caso deverá ser analisado individualmente, entre eles o do ex-presidente Lula, cujos advogados de defesa pedirão hoje sua soltura, sem uso de tornozeleira. O pedido deverá ser julgado pela juíza Carolina Lebbos, da 12 Vara de Execuções Penais do Paraná. Ela não tem prazo para decidir.

Além do receio de insegurança jurídica e do impacto da possível soltura de Lula na cena política brasileira, o cenário externo hoje também está mais cauteloso, com algumas bolsas operando em queda em meio a incertezas sobre um acordo comercial entre norte-americanos e chineses. Há rumores de que a retirada de tarifas, que teria sido acordada, ainda enfrenta resistências dentro do governo norte-americano.

Com relatos mistos sobre as negociações, o dia ainda é mais negativo para preços de commodities, com quedas do minério de ferro e do petróleo, o que reflete nas ações da Vale e da Petrobras, respectivamente.

Alguns papéis ainda refletem balanços trimestrais, caso da CVC e da BRF, que mostram as maiores quedas do Ibovespa, além de refletirem a alta do dólar. Na contramão, as maiores altas são da BR Distribuidora, da Suzano e da Klabin.

O dólar comercial segue pressionado frente ao real e sobe mais de 1%, renovando máximas sucessivas, exibindo a cautela dos investidores com o exterior mais negativo para moedas de países emergentes em meio ao receio a respeito da guerra comercial entre Estados Unidos e China, enquanto aqui, o mercado aguarda os desdobramentos após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão em segunda instância.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,34%, sendo negociado a R$ 4,1490 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2019 apresentava avanço de 1,23%, cotado a R$ 4,154.

“O mercado reage à decisão do STF que mais preocupa por manter a insegurança jurídica do que pela possibilidade de o ex-presidente Lula ser solto”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes. Ele acrescenta, porém, que a frustração com o “fracasso” do leilão do pré-sal nesta semana ainda segue no preço.

Gomes reitera que o cenário externo está “bem ruim” principalmente para as moedas de países emergentes com o dólar ganhando terreno frente às principais moedas pares.

Já o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, lembra que o viés de cautela ainda por outro motivo. Feriados nos próximos dias, aqui e nos Estados Unidos, que tendem a reduzir a liquidez dos negócios. “Ademais, segue o monitoramento em relação as negociações [comerciais] entre norte-americanos e chineses”, diz.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) reduziram o ímpeto de alta, visto na abertura do pregão principalmente no trecho longo da curva a termo, apesar do avanço firme do dólar, que segue cotado acima de R$ 4,10. Os investidores absorvem a decisão da Suprema Corte (STF) ontem, que abre espaço para a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,743%, de 4,746% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 4,56%, de 4,54%; o DI para janeiro de 2023 estava em 5,66%, de 5,62% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,24%, de 6,21%, na mesma comparação.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com