MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa voltou a operar em alta depois de mostrar forte volatilidade durante o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa do pré-sal, que teve arrecadação abaixo do esperado pelo governo e menor participação de estrangeiros do que o previsto pelo mercado.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,12% aos 108.580,75 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2019 apresentava recuo de 0,11% aos 109.035 pontos.

O índice reflete principalmente a recuperação das ações da Petrobras, que buscam equilíbrio depois de chegarem a cair mais de 3% e reagem a declarações do presidente da estatal, que garantiu que a companhia está preparada para investir nos campos que arrematou, afastando temores de investidores sobre o aumento de alavancagem.

O dólar comercial mantém alta forte frente ao real, acima do patamar de R$ 4,06, reagindo ao megaleilão da cessão onerosa que frustou o mercado doméstico após a Petrobras arrematar o principal bloco, o SS-AP1, em Búzios, na Bacia de Santos, por R$ 68,194 bilhões. O que anulou a participação de investidores estrangeiros. Em outro lote, a estatal arrematou 100% do bloco.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,85%, sendo negociado a R$ 4,0660 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2019 apresentava avanço de 1,67%, cotado a R$ 4,067.

O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, explica que, mesmo com o mercado ciente de que a Petrobras teria direito de preferência no bloco – dado com o principal do leilão – “assustou o mercado”, levando a moeda à máxima de R$ 4,0650 (+1,80%) após o resultado.

A participação da Petrobras foi de 90% no bloco, enquanto as demais empresas participantes do consórcio, a CNODC (Brasil) e a CNOOC Petroleum, ficaram com 5%, cada. “Com essa entrada de 90% da Petrobras, a leitura do mercado é de que não vai entrar dinheiro. O dinheiro já está aqui”, diz o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.

Já no bloco SS-AP1, em Itapu, na Bacia de Santos, a petrolífera estatal adquiriu 100% do bloco, por R$ 1,766 bilhão. A Petrobras também tinha direito de preferência no bloco. “A expectativa do mercado era de que várias empresas estrangeiras tomassem, principalmente, o bloco de Búzios, o maior”, ressalta o analista da Toro.

A expectativa do governo federal de arrecadar R$ 106,5 bilhões foi frustrada após a grande participação da estatal no leilão, e resultou em um montante de R$ 69,960 bilhões em bônus de assinatura. Além dos blocos de Búzios e Itapu, dois blocos foram ofertados, de Sépia e Atapu, ambos na Bacia de Santos, mas não receberam nenhuma oferta.

Diante disso, com a participação dominante da petrolífera, o governo deve receber apenas R$ 28,5 bilhões, descontados os R$ 34,1 bilhões à Petrobras. Assim, o fatiamento para estados e municípios deverá ser bem menor. Enquanto isso, o mercado segue digerindo a “decepção” com o leilão, em que se esperava uma forte participação de estrangeiros e uma entrada robusta de fluxo no País.

“A esperança por um real super forte está morta, por enquanto. O dólar pode ser negociado entre R$ 4,00 e R$ 4,10 a partir de agora, com o real perdendo apelo”, destaca o diretor da tesouraria de um banco estrangeiro.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) intensificaram o ritmo de alta, na esteira da disparada do dólar, que passou a ser cotado acima de R$ 4,00, em reação ao resultado do megaleilão do pré-sal. A presença agressiva da Petrobras nas ofertas pelos blocos frustrou a expectativa de ingresso de recursos externos, bem como levantou dúvidas sobre a arrecadação para cobrir o rombo das contas públicas.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,745%, de 4,749% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 4,47%, de 4,49%; o DI para janeiro de 2023 estava em 5,50%, de 5,47% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,08%, de 6,02%, na mesma comparação.

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