MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

179

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após renovar recorde e se aproximar dos 108 mil pontos ainda na esteira do otimismo da aprovação da reforma da Previdência no Senado ontem, o Ibovespa passou a operar perto da estabilidade. Também há expectativa de que pelo menos um dos destaques da reforma que ainda restam para serem analisados hoje possa ser rejeitado, evitando nova desidratação ao texto. Entre as ações que ajudam a sustentar essa alta estão as de bancos, que aceleraram ganhos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava ligeira alta de 0,04% aos 107.433,07 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2019 apresentava avanço de 0,46% aos 108.245 pontos.

Embora a aprovação da reforma já fosse esperada, o que poderia fazer com que valesse a máxima “sobe no boato e cai no fato” hoje, investidores têm se mantido animados, na expectativa que o governo possa prosseguir com a agenda de reformas. “Com a concretização da Previdência, o governo deve se concentrar em outras reformas e pode ter força política. Ainda vemos montagem de posições em alguns setores, como os ligados a infraestrutura, ainda há oportunidades na Bolsa”, disse o sócio da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo.

O texto principal da reforma da Previdência foi aprovado ontem pelo Senado por 60 votos a 19, encerrando a tramitação do projeto no Congresso. No entanto, senadores devem retomar hoje a votação de dois destaques da reforma, sendo que há pouco foi anunciado um acordo para que o destaque do PT, que prevê que trabalhadores em funções de alta periculosidade tenham direito a se aposentar com um tempo menor de contribuição, seja aprovado, Em contrapartida, o segundo destaque, deve ser rejeitado.

Já no cenário externo, as bolsas norte-americanas operam hoje “de lado”, com leve alta no momento, em meio a ausência de novidades sobre a guerra comercial e à temporada de balanços. O cenário externo mais tranquilo também pode manter espaço para que o Ibovespa mantenha o tom favorável.

Entre as ações, as de bancos aceleraram ganhos, com as da Itaú Unibanco e do Bradesco passando a ficar entre as maiores altas do Ibovespa. Ainda entre as maiores altas estão as ações da Weg, que refletem dados trimestrais positivos, e da Braskem. O dia ainda é positivo para as ações da Vale e siderúrgicas, como da Gerdau, que se recuperam depois das quedas de ontem em meio a dados mais fracos do setor.

Após oscilar sem rumo único na abertura dos negócios, o dólar comercial opera em queda frente ao real em movimento técnico no mercado local, mas ainda calibra o cenário misto no exterior em meio às incertezas com o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e resultados menos otimistas de balanços corporativos.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,14%, sendo negociado a R$ 4,0700 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2019 apresentava recuo de 0,30%, cotado a R$ 4,070.

“Mesmo após a aprovação da reforma da Previdência, ainda há incertezas quanto aos destaques que precisam ser aprovados também no Senado. Mas há um movimento de forte de venda”, comenta a analista da Toro Investimentos, Luana Nunes.

A analista acrescenta que, no exterior, também há incertezas com os resultados dos balanços e o Brexit, o que deixa o mercado de ações de lado e está respingando no dólar, que tem movimento similar no exterior. “Com a agenda de indicadores mais fraca, esses fatores se sobressaem no mercado”, diz.

Apesar do otimismo em meio à conclusão da aprovação do texto, o analista político da Levante, Felipe Berenguer, lembra que o novo sistema deve reduzir distorções da Previdência Social e alivia as contas públicas. “Um crescimento econômico robusto, porém, não se resume à aprovação de somente essa reforma. São necessárias outras correções no orçamento público para que o Estado tenha mais eficiência nos gastos e promova crescimento com responsabilidade”, reforça.

O analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi, destaca que o mercado acompanhará de perto a retomada do julgamento de prisão após condenação em segunda instância, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que resultar na liberdade do ex-presidente Lula. “Caso ocorra, a esquerda passa a ganhar força em um momento em que o partido do governo está fragmentado”, acrescenta o diretor de uma corretora local.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) apresentam leves oscilações, mas seguem com um ligeiro viés de baixa, principalmente no trecho longo, com os investidores tentando corrigir parte da alta observada na sessão anterior. Já os vértices mais curtos refletem os ajustes dos investidores nas apostas em relação ao rumo da Selic até o ano que vem.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,839%, de 4,848% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 4,55%, de 4,54% do ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,51%, de 5,52% após ajustes; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,18%, de 6,20%, na mesma comparação.