MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera sem uma direção clara hoje acompanhando as leves quedas dos principais mercados acionário no exterior, em meio a um PIB mais fraco na China, e refletindo a crise dentro do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL. Analistas também têm afirmado que o mercado perdeu um pouco de ímpeto depois de seis altas seguidas, interrompidas ontem, e está aguardando novidades mais relevantes.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,19% aos 104.808,16 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2019 apresentava recuo de 0,52% aos 105.380 pontos.

“O PSL colocou um pouco ‘de água no chopp’, mas se o mercado estivesse muito preocupado o Ibovespa mostraria uma correção maior. Acho que depois de seis dias de alta, é um movimento normal essa perda de apetite”, disse o analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino.

A disputa dentro do PSL segue no foco, já que Bolsonaro falhou na tentativa de tirar o deputado federal Delegado Waldir da liderança da Câmara, que ameaçou “implodir” o presidente. Bolsonaro ainda retirou a deputada Joice Hasselmann da liderança do governo. Apesar de não ter tido grande impacto no mercado ainda, a crise no partido deve ficar no radar, principalmente se começar a desgastar Bolsonaro e começar a trazer preocupações sobre prazos para aprovação de reformas.

Já no exterior, as bolsas norte-americanas e europeias mostram leves quedas depois que o PIB da China cresceu 6,0% em base anual, abaixo da projeção de alta de 6,1% e na parte baixa da meta do governo para este ano, de manter o crescimento entre 6% e 6,5%. A alta foi é a menor em 27 anos.

Entre as maiores altas do Ibovespa estão as ações da Eletrobras, da Marfrig e do Banco do Brasil. O Banco do Brasil precificou sua oferta secundária de ações (follow on), a R$ 44,05 por ação, movimentando R$ 5,8 bilhões. “Essa alta hoje está relacionada com o follow on e o Banco do Brasil é um dos bancos que tinha ficado para trás. Os follows on, capitalizações e IPOs que têm ocorrido são um fator positivo, bons sinais para o mercado”, disse o analista.

O dólar comercial ampliou as perdas frente ao real em linha com o exterior onde a moeda segue enfraquecida frente às principais moedas pares e de países emergentes após os dados da China com a produção industrial e vendas no varejo se contrastando da produção industrial.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,81%, sendo negociado a R$ 4,1380 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2019 apresentava recuo de 0,65%, cotado a R$ 4,140.

“O dólar segue o comportamento da moeda no exterior. A China pretende crescer em 2019 a uma taxa entre 6% a 6,5%, essa é a meta. O terceiro trimestre mostrou que o país asiático teve crescimento econômico de 6% conforme o PIB [Produto Interno Bruto]. Ou seja, a desaceleração causada principalmente pela guerra comercial com os Estados Unidos levou o alvo do governo para o piso”, comenta o operador da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

A produção industrial, porém, subiu 5,8% em setembro na comparação anual, após uma mínima de 17 anos relatada em agosto. Enquanto as vendas no varejo tiveram alta de 7,8% no mês passado na mesma comparação. “Não é de se estranhar, portanto, a busca de um acordo, mesmo que parcial, que possa minimizar os efeitos do impasse comercial”, aposta.

A crise no PSL, partido de Jair Bolsonaro, segue no radar do mercado doméstico em meio ao desgaste do presidente e seus aliados. Para o analista político da Levante, Felipe Berenguer, ainda que o “racha” do partido não tenha contaminado de fato o mercado, a disputa, chegando a cargos importantes do Congresso, deve afetar a já tímida articulação política do governo.

“Consequência disso é o provável adiamento precoce da agenda de reformas, com o governo perdendo a oportunidade de aproveitar a sinergia da aprovação da reforma da Previdência na Câmara e no Senado”, avalia.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em alta, apesar da forte queda exibida pelo dólar. Ainda assim, ambos os mercados passam por uma realização de lucros, com a moeda norte-americana devolvendo os ganhos firmes da véspera, ao passo que a curva a termo recompõe os prêmios retirados nos últimos dias.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,860%, de 4,856% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 4,49%, de 4,47%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,47%, de 5,43% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,15%, de 6,10%, na mesma comparação.

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