MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa amplia a alta para mais 3% em movimento contrário à véspera, quando as bolsas em Nova York tinham valorização expressiva e aqui mais moderada, em um dia em que os investidores reagem ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro abaixo das previsões do mercado, embora apresentando a maior taxa para o mês desde 1994 (+1,53%). Soma-se o relatório de empregos nos Estados Unidos (payroll, sigla em inglês)- mais fraco que as estimativas dos analistas e as ações de forte peso no índice se valorizando como Petrobras e bancos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 2,84%, aos 113.775,67 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 18,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 apresentava avanço de 2,54%, aos 113.795 pontos.

Para Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos, o motivo do humor imperar na Bolsa deve-se ao payroll e o IPCA saírem abaixo das expectativas dos analistas e os resultados acabaram animando o mercado. “O payroll pode sinalizar uma fraqueza da economia e confirma a expectativa do mercado de que o Fed[Federal Reserve, banco central norte-americano] tem informações suficientes para iniciar o tapering em novembro como já era esperado”.

Mas Komura ressaltou que é necessário cautela porque a economia nos Estados Unidos não está em recuperação firme. “Isso pode calibrar qual vai ser o ritmo na redução da compra de ativos. Se o Fed fizer com moderação e com bastante parcimônia, o impacto no mercado pode ser reduzido e uma expectativa ancorada”.

Em relação ao cenário local, o analista da Ouro Preto Investimentos comentou que existe uma pressão inflacionária, mas o resultado do IPCA foi uma surpresa positiva para o mercado “já que a inflação está começando a desacelerar e a pressão pela elevação da Selic [taxa de juros básica do País] seja um pouco menor”, destacou. Muitos analistas estão revisando a Selic para acima de 9% ao ano (aa).

Com uma inflação mais controlada para 2022 e 2023, “pode reduzir a expectativa da Selic terminal, uma vez que se sabe que o ritmo da elevação da taxa de juros é de 1 ponto porcentual (pp) por reunião [do Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC)].  A inflação desacelerando um pouco beneficia as empresas do varejo- que registram alta expressiva na sessão de hoje-que são bastante sensíveis a inflação e taxa de juros.

No pregão de hoje, o mercado está deixando de lado todas as incertezas em relação ao fiscal, “que continuam latentes”, afirmou.

Por aqui, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,16% em setembro em comparação com agosto e o mercado previa alta de 1,25%.  “O resultado surpreendeu o mercado para baixo, o que em inflação é positivo. Ainda é muito cedo para ser taxativo em uma melhora da dinâmica inflacionária”, disse Étore Sanchez, economista da Ativa Investimentos. E nos Estados Unidos, o payroll apontou a criação de 194 mil empregos em setembro. O mercado esperava abertura de 500 mil de vagas e a taxa de desemprego baixou para 4,8%, de 5,2% em agosto.” Esse dado mostra que o Fed pode adiar a redução dos estímulos”, disse uma fonte que não quis se identificar.

Para Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos, as atenções dos investidores estão para o payroll. “Dependendo como sair o dado será fundamental para entendermos como será a dinâmica do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) que está se preparando para a desaceleração do programa de compra de títulos, que está na casa dos US$ 120 bilhões por mês. Com sinais cada vez mais consistentes de que o mercado de trabalho está aquecido implicaria em um início de ajuste da política monetária”.

Para os analistas da Mira Asset, “os dados do IPCA e payroll vão definir o rumo dos negócios na Bolsa”. E acrescentou que “com a criação de vagas menor que o esperado o tapering pode não ocorrer em breve”.

O dólar opera misto, flertando com a estabilidade. Isso ainda é resultado da divulgação da criação da criação de novos postos de trabalho, nos Estados Unidos, no mês de setembro: 194 mil ante expectativas de 500 mil. O Fed, contudo, não deve mudar os planos para o anúncio do tapering (remoção de estímulos), em novembro.

Por volta das 13h30, o dólar comercial subia 0,10%, cotado a R$ 5,5210 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2021 operava estável, cotado a R$ 5.537.

De acordo com o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, “o payroll (folha de pagamento, um dos principais índices de emprego nos Estados Unidos) abaixo do esperado enfraquece o dólar”. O resultado, na visão do economista, em nada altera o anúncio da retirada dos estímulos, que deve ocorrer na próxima reunião do FOMC, em novembro.

Rosa acredita que o cenário doméstico está menos ruidoso nos últimos dias: “O ambiente político está mais tranquilo, sem nada que preocupasse os investidores. Estão tentando resolver e votar a questão dos precatórios”, pontua.

Segundo o boletim matinal da Correparti, “os mercados acionários ao redor do globo exibem um viés levemente negativo, com investidores entrando no modo cautela, no aguardo da publicação do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll”.

Esta expectativa também é refletida no mercado doméstico: “o dólar comercial deve abrir de estável para leve viés de queda, mas o payroll é que deve definir a tendência da moeda americana para o restante da sessão, e caso o indicador venha forte, pode confirmar o início da retirada dos estímulos americanos já em novembro”, projeta a Correparti.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) iniciaram a sessão em queda acentuada, após IPCA avançar 1,16% em setembro, maior resultado para o mês desde 1994 (+1,53%), mas ainda abaixo da expectativa do mercado (+1,25%).

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,236%, de 7,256% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 9,045%, de 9,190%; o DI para janeiro de 2025 ia a 10,010%, de 10,200% antes e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,420%, de 10,620%, na mesma comparação.