MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa segue em forte alta acompanhando a expectativa mundial de recuperação da economia em meio a reabertura de diversos países e após indicadores virem melhores do que o esperado pelo mercado, caso dos dados de vagas de trabalho no setor privado nos Estados Unidos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 2,45%, aos 93.281,86 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 18,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2020 apresentava avanço de 2,03%, aos 93.295 pontos.

“Estamos vendo um movimento global de melhora, alguns índices como o norte-americano Nasdaq já está positivo no ano e o Ibovespa, que tinha ficado um pouco para trás, já está melhor. Há uma série de indicadores mostrando que a recuperação econômica pode ser mais rápida”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

Entre esses indicadores, Zuffo cita o PMI de serviços na China, que subiu a 55,5 pontos em maio, acima do esperado e acima dos 50 pontos. Outro dado que chamou a atenção foi o do setor privado norte-americano, que fechou 2,760 milhões de vagas em maio. Apesar de negativo, o número foi bem menor que o fechamento de 8,750 milhões de vagas esperado pelo mercado.

No Brasil, a produção industrial mostrou a maior queda da série histórica ao cair 18,8% em abril ante março, mas também veio melhor do que o esperado, já que analistas previam uma queda de 31%.

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real e opera nas mínimas desde o fim de março em busca dos R$ 5,00 seguindo o otimismo que toma conta dos mercados de países emergentes, enquanto a moeda estrangeira perde terreno. Dados de atividade melhores do que o esperado e o mercado doméstico mais positivo, em meio à emissão de títulos na moeda estrangeira, animam investidores.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 3,14%, sendo negociado a R$ 5,0490 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2020 apresentava retração de 3,05%, cotado a R$ 5,053.

Para o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, é também a “recente percepção” de aceleração da economia mundial. “E segue com tendência de queda. O dólar a R$ 5,00 sempre foi exagero mesmo em cenário de pandemia [do novo coronavírus]”, comenta.

O trader de mesa de câmbio da Travelex, Pedro Molizani, acrescenta que o otimismo também se sobrepõe as preocupações como a onda de protestos antirracistas nos Estados Unidos. Enquanto indicadores da Europa como os índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da região, da Alemanha e do Reino Unido superaram as expectativas dos analistas e “ajudam a apoiar” o bom humor no mercado europeu. “Assim como a taxa de desemprego na zona do euro abaixo da previsão em abril”, diz.

O PMI do setor de serviços subiu a 30,5 pontos em maio ante 12,0 pontos em abril, na zona do euro, enquanto na Alemanha foi a 32,6 pontos, contra 16,2 registrados em abril. A taxa de desemprego dos países que compõem a zona do euro, por sua vez, subiu a 7,3% em abril, de 7,1% registrados em março, em dado revisado.

Mais cedo, o Tesouro Nacional anunciou que o governo federal fará uma emissão de títulos de dívida com vencimento em 2025 e em 2030 com a proposta de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, além de dar referência para a precificação de dívidas corporativas na moeda norte-americana e antecipar o financiamento de vencimentos em moeda estrangeira. Os títulos estão sendo emitidos no mercado global e o resultado será divulgado no fim do dia.

Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, apesar de a emissão ser antecipação de um vencimento, “é fluxo e resulta em valorização do real”.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em queda forte, acompanhando o recuo acelerado do dólar, que já se aproxima da marca de R$ 5,00. Apesar da agenda do dia carregada de indicadores econômicos, o comportamento do mercado doméstico segue sendo puramente técnico, com os investidores reduzindo a posição defensiva e elevando a exposição ao risco em Brasil.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,185%, de 2,25% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 2,99%, de 3,06% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,01%, de 4,09%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,63%, de 5,75%, na mesma comparação.