MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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São Paulo – Embora já tenha reduzido levemente os ganhos, o Ibovespa segue operando em alta refletindo a reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores, na qual foi prometido que o projeto de auxílio a estados deve ser sancionado com vetos, como sobre a questão de aumento de salários de servidores públicos. Além disso, o índice reflete a forte alta de ações de bancos e o cenário externo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,30%, aos 82.377,09 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 13,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2020 apresentava avanço de 1,09%, aos 82.495 pontos.

O diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo, destacou que a definição da liberação de ajuda aos estados, com o possível veto ao aumento de salários de servidores, é positivo, já que o veto reduzirá a pressão fiscal.

Já o CEO da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo, acredita que a união dos Poderes nesse momento, com a presença dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados na reunião é outro bom sinal. “Em meio ao caos, parece que teve alguma trégua”, disse.

No exterior, as Bolsas norte-americanas também chegaram a operar em alta refletindo indicadores melhores do que o esperado, mas voltaram a cair há pouco e mostram alguma volatilidade. Analistas, no entanto, acreditam que o cenário externo segue um pouco mais tranquilo em geral, em meio a retomada de economias, embora haja preocupação com a tensão entre China e Estados Unidos, depois de novas críticas do presidente Donald Trump ao país hoje.

Entre as ações, as de bancos estão entre os destaques de alta hoje e impulsionam o índice, caso do Itaú Unibanco. Para Zuffo, as ações de bancos vinham sofrendo um pouco com a possibilidade de mudanças na legislação e aumento de impostos, mas mostram recuperação na esteira do ânimo trazido pela reunião de Bolsonaro com governadores. “Havia sinalizações de que os bancos iam ter que pagar parte da conta fiscal diante da crise causada pela pandemia, mas esse veto a reajustes é um bom sinal”, disse.

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real, abaixo de R$ 5,60 pela primeira vez desde o início de maio, seguindo o bom humor que prevalece entre as moedas de países emergentes e com a política local, reagindo à reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores, no qual anunciou a sanção do projeto de auxílio de R$ 60 bilhões aos estados. A moeda chegou a cair mais de 2%.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,40%, sendo negociado a R$ 5,6040 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2020 apresentava recuo de 1,58%, cotado a R$ 5,606.

“Isso mostra união entre as esferas políticas, por enquanto, além da aprovação desse pacote’, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. No encontro virtual, Bolsonaro ainda pediu apoio aos estados para o congelamento dos salários de servidores públicos até o fim de 2021.

“Chegamos à conclusão de que congelando a remuneração, os proventos dos servidores até o final do ano que vem, esse peso seria menor, mas de extrema importância para todos nós. É bom para o servidor porque o remédio é o menos amargo, mas é de extrema importância para os 210 milhões de habitantes”, disse Bolsonaro afirmando que é de “extrema importância que o veto [sobre a lei de auxílio a estados]” seja mantido pelo Congresso.

Segundo o presidente, o projeto de auxílio aos estados será sancionado ainda hoje “com vetos”.

O diretor de uma corretora nacional reforça que investidores locais seguem com o “desmonte de posições” influenciado pelas notícias locais, e que as declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ontem de que, se necessário, a autoridade monetária intervirá no mercado cambial de forma mais robusta corroboram para a queda intensa da moeda.

O mercado de juros futuros é fortemente influenciado pelo dólar, que cai mais de 1,5% e é cotado abaixo de R$ 5,60. O desmonte de posições defensivas (hedge) tem reflexos nos negócios com DIs e com ações (Ibovespa), ditando o rumo dos negócios locais. Ainda assim, o movimento de retirada de prêmios na curva a termo é mais intenso no trecho longo.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,505%, de 2,545% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,40%, de 3,42% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,55%, de 4,57%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,46%, de 6,54%, na mesma comparação.