MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa acelerou a queda acompanhando as fortes perdas de Bolsas no exterior em meio a um noticiário mais negativo nos Estados Unidos, com dados mais fracos do que o esperado dos dados de seguro-desemprego e declarações do presidente norte-americano Donald Trump.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,04% aos 76.956,25 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2020 apresentava recuo de 1,83%, aos 77.000 pontos.

“Nos últimos dois dias o Ibovespa segurou um pouco, mas hoje cedeu à pressão negativa no exterior. A retórica de autoridades nos Estados Unidos piorou, o Trump falou até em rever acordo com a China”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

Trump disse hoje que está muito desapontado com a China, reiterando acusações de que o governo chinês poderia ter impedido a disseminação do novo coronavírus e já sabia sobre o vírus quando assinou o acordo comercial de primeira fase em janeiro. O presidente norte-americano ainda criticou o depoimento do diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, que é cauteloso quanto à reabertura de atividades e de escolas.

Ontem, declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, já haviam pesado sobre os mercados, mostrando maior pessimismo sobre os impactos da pandemia na economia, o que poderia exigir novas medidas. Adicionando preocupação, os dados do seguro-desemprego no país vieram um pouco piores do que o esperado pelo mercado hoje.

O dólar comercial tem mais uma sessão de forte volatilidade frente ao real e oscila sem rumo único após renovar as máximas históricas intraday acima de R$ 5,97 e recuar abaixo de R$ 5,90 em meio à intervenção mais robusta do Banco Central (BC) no mercado futuro. O mau humor externo pesa.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,37%, sendo negociado a R$ 5,9260 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2020 apresentava avanço de 0,61%, cotado a R$ 5,931.

“A intervenção do Banco Central que fez a moeda cair. O mercado gostou do montante ofertado”, diz o diretor da Correparti, Ricardo Gomes. Apesar da autoridade monetária ter ofertado US$ 1,0 bilhão em operação de swap cambial tradicional – equivalente à venda de dólares no mercado futuro – foram colocados US$ 890,0 milhões. Renovando máximas históricas pelo terceiro dia seguido, o BC tem ofertado US$ 500,0 milhões de swaps.

Apesar de volátil, a tendência da moeda é de alta acompanhando o exterior mais negativo digerindo declarações vindas dos Estados Unidos. De um lado, o presidente Donald Trump segue criticando a China em relação à pandemia do novo coronavírus, do outro, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell.

“O presidente Trump ventilou a possibilidade de cortar relações com a China. Isso também adiciona estresse ao mercado”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. Em entrevista à Fox News, o presidente dos Estados Unidos disse que está “muito desapontado” com o país asiático, reiterando acusações de que o governo chinês poderia ter impedido a disseminação do novo coronavírus, refletindo na escalada das tensões entre os países.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, acrescenta que o viés negativo no exterior vem da “cautela renovada” após as declarações de Powell sobre a visão da autoridade monetária de que o país levará um período “prolongado” de crescimento fraco rechaçando, no momento, colocar o juro em campo negativo.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta, pressionadas pela valorização do dólar, que chegou a ir além de R$ 5,95, mas recuou após o Banco Central aumentar a oferta de swap cambial em leilão. Ainda assim, a moeda norte-americana permanece acima da faixa de R$ 5,90, com a curva a termo sendo contaminada também pela maior aversão ao risco no exterior e pelos riscos políticos locais.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,70%, de 2,655% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,75%, de 3,64% após o ajuste da véspera; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,99%, de 4,94%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,97%, de 6,86%, na mesma comparação.