MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa segue em queda, embora já tenha reduzido levemente as perdas em relação à abertura, com investidores voltando a se preocupar com o aumento de casos de coronavírus, principalmente nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump alertou que as próximas duas semanas devem ser “muito duras”.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 4,16% aos 69.979,49 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 2,79% aos 69.960 pontos.

“O Trump deu um sinal negativo e o mercado ainda está muito sensível, apesar de a pressão de venda ter diminuído nos últimos dias. A volatilidade ainda deve continuar”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

Ontem à noite, Trump se mostrou mais preocupado e disse o país deve estar preparado para as próximas semanas. O número de infecções causadas pelo novo coronavírus no mundo passou de 874 mil, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, e agora somam 874.081. As mortes por covid-19 totalizam 43.291.

O maior número de pessoas infectadas está nos Estados Unidos, com um total de 189.633 casos e 4.081 mil mortes, com 1.096 delas apenas na cidade de Nova York, epicentro da doença no país.

Alguns indicadores norte-americanos, porém, vieram menos piores do que o esperado. Dados mostraram o fechamento de 27 mil vagas de trabalho no setor privado em março, número menor do que o previsto pelo mercado, que esperava perda de 125 mil vagas.

O dólar comercial segue em alta frente ao real, mas abaixo de R$ 5,25, refletindo a forte aversão ao risco que prevalece no exterior na primeira sessão do segundo trimestre do ano que, para analistas, terá números impactantes refletindo os efeitos do avanço do novo coronavírus e do isolamento social aplicado em vários países como tentativa para conter a disseminação da doença. O número de casos confirmados e de mortes nos Estados Unidos corroboram para o pessimismo dos investidores.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,21%, sendo negociado a R$ 5,2620 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em maio de 2020 apresentava avanço de 1,03%, cotado a R$ 5,269.

“O mercado abriu muito pessimista reagindo as declarações do Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos]. Esse discurso fez com que aumentasse o pessimismo com a recuperação da economia mundial. O impacto sobre o lucro das empresas, da economia, gerou um mau humor muito forte nos ativos”, comenta o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Trump declarou ontem que o país enfrentará as duas piores semanas desde que o primeiro caso do novo coronavírus foi registrado no país, em 21 de janeiro deste ano. “Serão duas semanas muito duras para os norte-americanos, precisamos estar preparados. Só depois começaremos a ver as coisas melhorarem por aqui”, disse durante uma entrevista coletiva. O país acumulava até ontem mais de 184 mil casos confirmados e mais de 3,7 mil mortes.

Para o estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua, o segundo trimestre começou com os mercados levando “mais um susto, após tantos outros”. Ele acrescenta que as declarações do presidente norte-americano e a divulgação de uma estimativa dos cientistas do governo dos Estados Unidos, no qual esperam por 100 mil a 240 mil vítimas fatais em decorrência da Covid-19, provocaram quedas generalizadas no mercado global.

Apesar dos dados de março da atividade industrial de países da zona do euro, do Reino Unido e dos Estados Unidos registrarem retração, para Rosa, os números de abril deverão ser piores. “No segundo trimestre, o impacto do isolamento social nos países deverá vir mais forte”, avalia.

As taxas dos contratos de juros futuros reduziram o ritmo de alta, saindo das máximas do dia, sendo que os vértices mais curtos passaram a cair, em meio às apostas de novos cortes na Selic. Os investidores continuam observando o cenário externo de maior aversão ao risco, o que impulsiona o dólar para além de R$ 5,20.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,205%, de 3,235% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,15%, de 4,05% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,51%, de 5,30%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,02%, de 6,75%, na mesma comparação.