MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa voltou a ampliar queda e chegou a cair mais de 7% acompanhando a piora das Bolsas norte-americanas em meio a notícias de aumento de casos de coronavírus e do impasse entre democratas e republicanos para aprovar um pacote de ajuda à economia nos Estados Unidos. Essas notícias seguem assustando investidores apesar de novas medidas anunciadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e pelo Banco Central (BC) brasileiro hoje, que chegaram a agradar o mercado.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília0, o Ibovespa registrava queda de 5,07% aos 63.668,85 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 3,92% aos 63.600 pontos.

Hoje, o estado de Nova York, nos Estados Unidos, relatou 5.707 novos casos nas últimas 24 horas, levando o total de infectados na região para 20.875, afirmou o governador do estado Andrew Cuomo em coletiva de imprensa.

Além disso, parlamentares norte-americanos seguem discutindo a aprovação de um pacote de ajuda para mitigar efeitos da pandemia. Ontem, os democratas do Senado dos Estados Unidos bloquearam as medidas, após uma disputa com republicanos sobre provisões de resgate de empresas e auxílio a trabalhadores deslocados.

“Parece que o entendimento entre republicanos e democratas está difícil”, disse o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

O nervosismo com o noticiário em torno do coronavírus ofusca o anúncio do Fed de que comprará uma quantidade ilimitada de títulos do Tesouro e de hipotecas, além de lançar novos mecanismo de crédito para o mercado de dívida de empresas.

Já no Brasil, o BC anunciou a redução da taxa de compulsório sobre depósitos à prazo, que bancos têm que recolher, para 17%, o que deve injetar R$ 68 bilhões na economia. A autoridade monetária também anunciou outras medidas para estimular o crédito, entre elas a decisão de conceder empréstimos lastreados por debêntures, o que deve proporcionar uma liquidez de aproximadamente R$ 90 bilhões a este setor.

O dólar comercial acelerou os ganhos frente ao real e sobe mais de 2% no mercado à vista em meio ao ambiente negativo que prevalece no exterior com a rejeição ao pacote de estímulos anunciado nos Estados Unidos, enquanto o número de casos confirmados aumenta no país. Aqui, investidores acompanham as medidas anunciadas pelo governo federal e pelo BC apesar de esperarem um efeito reduzido sobre a economia.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 2,30%, sendo negociado a R$ 5,1380 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 1,44%, cotado a R$ 5,138.

Nos Estados Unidos, democratas do Senado bloquearam um pacote de US$ 1,3 trilhão de resgate projetado para atenuar o impacto econômico da pandemia do novo coronavírus, após disputa com republicanos sobre provisões de resgate de empresas e auxílio a trabalhadores deslocados.

“O mercado reagiu negativamente ao impasse no Senado e investidores aguardam que isso volte a ser discutido hoje e possa atenuar o cenário de forte incerteza”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Ainda nos Estados Unidos, o número de casos confirmados de coronavírus foram revisados para cima com mais de 20,8 mil infectados no estado e mais de 12 mil na cidade. Números que levaram as bolsas norte-americanas piorarem o comportamento, assim como a moeda estrangeira que elevou as perdas.

O Banco Central realizou dois leilões de venda de dólares no mercado à vista de até US$ 1,0 bilhão. Deste total, foram tomados US$ 501,0 milhões somando as duas operações, insuficiente para conter a moeda que opera acima de R$ 5,10. “Essas e outras ações do BC são para conter um avanço maior”, diz Gomes. Ele acrescenta que o atual nível da moeda norte-americana, acima de R$ 5,00 há seis pregões seguidos, deverá se manter em meio ao ambiente de incertezas.

“O real é a moeda que mais se desvalorizou entre as emergentes desde o início da crise pelos fundamentos da nossa economia. Já vínhamos de uma forte saída de recursos com poucas perspectivas sobre a nossa política e de crescimento do país”, ressalta Gomes. O diretor da Correparti comenta ainda que o exportador tem sido “bastante prejudicado” e temem honrar compromissos com bancos em meio à forte desvalorização da moeda.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem sem uma direção definida. Os vértices mais curtos reagem em queda à ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) e às declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o que provoca uma inclinação do trecho mais longo da curva a termo. A renovada onda de aversão ao risco no exterior e a alta do dólar também pressionam os vencimentos mais longos.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,72%, de 3,96% após o ajuste anterior, na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2022 estava em 5,66%, de 5,61% ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,26%, de 6,93%; enquanto o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,70%, de 8,25% na mesma base de comparação.