MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa segue com fortes perdas em mais um dia de pânico em função do coronavírus e com investidores com medo de que o pacote de estímulos de mais de US$ 1 trilhão anunciado ontem pelos Estados Unidos não seja suficiente para evitar uma recessão econômica. No Brasil, investidores também analisam medidas tomadas, como a possibilidade de reconhecimento de calamidade pública.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha as negociações suspensas devido ao acionamento do circuit breaker, ao cair 10,26% aos 66.961,15 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 14,8 bilhões. No Mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 8,25% aos 67.255 pontos.

O índice, no entanto, já chegou a reduzir levemente as perdas, evitando um circuit breaker até o momento. O mecanismo é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10%, o que interrompe as negociações por 30 minutos.

Para o estrategista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilacqua, as medidas tomadas são positivas. No entanto, “a eficácia dessas medidas ainda precisa ser testada e seus resultados não são garantidos”. “O coronavírus é a maior pandemia registrada em um século, e seu impacto sobre a economia ainda deve ser calculado. Na dúvida, os investidores vendem. É o que está ocorrendo nesta manhã”, disse, em relatório.

Ontem, o governo norte-americano anunciou um pacto de de estímulos de US$ 1,2 trilhão, que inclui distribuição direta de dinheiro à população. Hoje, o país também fechou a fronteira com o Canadá. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda disse que irá realizar uma conferência de imprensa hoje sobre uma novidade “muito importante” em relação ao coronavírus, ligada à Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês).

Já no Brasil, o governo irá enviar ao Congresso Nacional um pedido para reconhecimento de Estado de Calamidade Pública em razão da crise provocada pela pandemia. O reconhecimento de calamidade pública dispensa a União de cumprir a meta de resultado primário previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Há pouco, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também disse que em até duas semanas o governo federal deve começar a distribuir um vale com valor semelhante ao benefício do Bolsa Família para pessoas desassistidas, desalentadas e totalmente fora da economia formal – que ganhou o apelido de “coronavoucher”. As informações são do site Poder360, a quem o ministro concedeu entrevista.

Apesar de vistas como necessárias, essas medidas também podem trazer preocupações no âmbito fiscal, no dia em que o COPOM ainda deve decidir o que fazer em relação à Selic e aumento de apostas em um corte mais forte.

Depois de operar em novo recorde, rompendo o patamar inédito de R$ 5,20, o dólar comercial desacelerou a alta e voltou a operar abaixo de R$ 5,10 após as atuações do Banco Central (BC) com a realização de leilões de linha e de venda de dólares no mercado à vista. Lá fora, o cenário de forte aversão ao risco prevalece, principalmente, para as moedas de países emergentes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 2,47%, sendo negociado a R$ 5,1260 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 2,11%, cotado a R$ 5,122.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, destaca que o viés de forte volatilidade da moeda e a tendência de alta se mantém. A moeda já oscilou entre os níveis de R$ 5,05 e R$ 5,20 nas primeiras horas de negócios. Ele reforça que os leilões do BC corroboraram para a desaceleração da moeda.

A autoridade monetária realizou um leilão de linha após a abertura dos negócios no qual foi tomado o valor total ofertado de US$ 2,0 bilhões. A operação foi anunciada ontem. Em meio à forte valorização da divisa estrangeira no início da sessão, o BC realizou dois leilões “surpresa” de venda de dólares no mercado à vista no total de US$ 1,0 bilhão. Menos do valor foi tomado pelo mercado.

“O Banco Central está monitorando a liquidez no mercado, além de mostrar que está apto para atuar de qualquer forma para conter a escalada da moeda”. O BC também anunciou que passará a fazer operações de compra com compromisso de revenda – conhecidas como repos – de títulos soberanos do Brasil denominados em dólar e que estão nas mãos de instituições financeiras nacionais.

A operação equivale a um empréstimo de curto prazo para quem detém o título – no caso, as instituições financeiras. Como os papéis são denominados em dólares, as repos garantiriam uma linha de liquidez em moeda estrangeira. As condições de cada operação serão definidas pelo Departamento de Operações das Reservas Internacionais do BC e a medida entra em vigor hoje para garantir o bom funcionamento dos mercados, reforçou a autoridade monetária em nota.

“A repo é mais uma ferramenta do BC para atender a grande demanda por dólar, a questão de liquidez, e tentando atuar no meio dessa volatilidade”, acrescenta o economista. Mantendo-se acima de valores inéditos pelo terceiro pregão seguido, Silveira reforça que é “ainda é cedo” para dizer que este é o novo patamar da moeda. “Estamos dentro de uma crise cheia de variantes além do mercado. A tendência de alta seguirá”, reforça.

As taxas dos contratos de juros futuro (DIs) seguem em alta, mas estão longe das máximas do dia e do limite de oscilação diária, acompanhando a desaceleração do dólar. Ainda assim, os investidores mantêm a recolocação de prêmios, em meio à renovada aversão ao risco no exterior, e dos impactos da pandemia de coronavírus nas contas públicas e no crescimento econômico do país.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,71%, de 3,60% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,98%, de 4,45% no ajuste ao final da sessão anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,12%, de 5,38%; enquanto o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,35%, de 6,59% na mesma base de comparação.