MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa segue em forte alta refletindo o alívio visto nas Bolsas no exterior com investidores na expectativa de que governos e bancos centrais tomem mais medidas para impedir uma recessão econômica, depois do pânico trazido pelo novo coronavírus e pela derrocada dos preços do petróleo. As ações da Petrobras estão entre as que mais puxam a alta do índice, acompanhando a recuperação dos preços da commodity.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 2,86% aos 88.532,96 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 16,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 3,15% aos 88.795 pontos.

“Devemos ter um novo corte de juros pelo Fed [banco central norte-americano] na próxima reunião e o mercado vai esperar não só medidas monetárias, mas medidas fiscais, liberação de orçamentos, etc. Isso pode dar um alívio de curto prazo, embora não sabemos se vai mudar a direção de longo prazo”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

Ontem, o presidente norte-americano Donald Trump, por exemplo, disse que deve tomar medidas para compensar as perdas provocadas pelo surto do novo coronavírus, entre elas o corte de impostos na folha de pagamentos e a manutenção das remunerações dos trabalhadores recompensados por hora.

O diretor também afirma que alguns investidores ainda aproveitaram para voltar a comprar ações depois que alguns papéis desabaram ontem, ficando baratos, no entanto, acredita que os problemas permanecem e é preciso manter cautela. “O Ibovespa bateu os 86 mil pontos ontem e chegou a níveis que podem ser considerados bem atrativos, mas a volatilidade deve continuar. Os motivos que geraram a realização forte ontem continuam aí, não é só o coronavírus, segue a dinâmica de desaceleração global”, ponderou.

Entre as ações, as da Petrobras estão entre as que lideram as altas do Ibovespa acompanhando a valorização de cerca de 7% dos preços do petróleo hoje e depois de recuarem quase 30% ontem. Ainda entre as maiores altas estão as ações da Vale, que acompanham os ganhos dos preços do minério de ferro, e da Via Varejo, que também se recupera das fortes perdas de ontem.

O dólar comercial tem queda firme frente ao real, desde a abertura dos negócios, exibindo o viés de recuperação dos ativos globais após sessão caótica ontem que levou o dólar à maior alta percentual desde o fim do ano passado, além de ter renovado a máxima histórica de fechamento acima de R$ 4,72, enquanto o preço do petróleo derreteu e as bolsas brasileira e norte-americana precisaram suspender as negociações com as fortes quedas.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,33%, sendo negociado a R$ 4,6640 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 1,32%, cotado a R$ 4,670.

O Banco Central (BC) atuou mais uma vez tentando conter o avanço da moeda que segue em níveis históricos. Logo após a abertura dos negócios, a autoridade monetária realizou mais uma operação de venda de dólares no mercado à vista, no qual toda a oferta de US$ 2,0 bilhões foi aceita. Ontem, mais agressivo, o Banco Central realizou dois leilões similares no qual ofertou US$ 4,0 bilhões, mas US$ 3,465 bilhões foram tomados.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, ressalta que a soma do cenário de recuperação e mais uma intervenção do BC resultam em um pouco de alívio nos negócios da moeda estrangeira.

“No curto prazo, o papel do BC em evitar disfuncionalidades de mercado é primordial. De qualquer forma, vale ressaltar que o câmbio é flutuante, dinâmico”, reforça Faganello.

A equipe econômica da Guide Investimentos reforça que o ambiente positivo tem ainda como pano de fundo a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende instaurar “diversas” medidas de alívio à economia. “O que reforça o comprometimento de governos a agir junto com os BCs para amortecer a crise”, avalia.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, mantendo o ritmo de retirada de prêmios, após a alta acelerada da véspera, com os investidores aproveitando a melhora dos mercados globais hoje para ajustar posições, um dia depois da elevada aversão ao risco. Ainda assim, o cenário econômico indefinido inibe um movimento mais intenso da curva a termo.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,94%, de 4,01% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,56%, de 4,63% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,26%, de 5,37% ao final da última sessão; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,26%, de 6,35%, na mesma comparação.