MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa segue em forte queda, embora já tenha reduzido levemente as perdas, após as negociações ficarem paradas por 30 minutos em função do circuit breaker (acionado quando o Ibovespa cai mais de 10%). O pânico dos mercados com a disseminação do coronavírus e, agora a crise do petróleo, fez o índice chegar a perder os 88 mil pontos na mínima do dia, voltando a patamares de mais de um ano atrás.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 9,01% aos 89.161,30 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 19,2 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 8,85% aos 89.125 pontos.

O circuit breaker foi acionado à 10h31, quando Ibovespa registrou queda de 10,01%, aos 88.178,33 pontos. Um circuit breaker não ocorria desde o “Joesley Day”, no dia 18 de maio de 2017, refletindo a notícia de que o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, faria uma delação premiada depois de gravar uma conversa com ex-presidente Michel Temer.

Os economistas do Itaú Unibanco destacam que as discussões entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia sobre a produção de petróleo atingiu um final inesperado e a Arábia Saudita reduziu preços do petróleo, afirmando que irá aumentar sua produção diária em mais de 10 milhões de barris.

“Essa decisão está impactando fortemente os mercados pelo mundo e a América Latina deve seguir no mesmo passo. No Brasil, por exemplo, o petróleo e derivados representam cerca de 13% das exportações e 10% das importações”, disseram, em relatório.

Há pouco, os preços do petróleo caíam cerca de 18%, o que reflete diretamente nas ações da Petrobras, que lideram as perdas do Ibovespa. Ainda entre as maiores quedas estão as ações da Via Varejo, da CSN e da Marfrig. Nenhum papel que compõe o Ibovespa opera em alta no momento.

O analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, também ressalta que “a crise pega bem onde o Brasil tem maior exposição internacional, nas commodities”, lembrando que o volume de negócios projeto para hoje é “altíssimo”, de R$ 30 bilhões. Na sua avaliação, embora ainda seja cedo para estimar, a crise do petróleo somada à questão do coronavírus deve levar a revisões fortes para baixo do PIB brasileiro, em função da desaceleração global, impacto em exportações, etc.

Os casos de coronavírus confirmados fora da China triplicaram na semana passada, fazendo empresas e governos tomarem medidas mais drásticas. Na Itália, cidades como Milão, foram isoladas.

Em dia caótico no mercado global, o dólar segue com forte alta em relação ao real e oscila entre os níveis de R$ 4,74 e R$ 4,76 após renovar a máxima histórica intraday perto de R$ 4,80 logo após a abertura dos negócios. A derrocada do preço do petróleo afeta fortemente todos os ativos com os índices das bolsas brasileira e dos Estados Unidos suspendendo as negociações por caírem mais do que o permitido, acionando o chamado “circuit breaker”.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 2,46%, sendo negociado a R$ 4,7480 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 2,52%, cotado a R$ 4,751.

“O movimento do dia não tinha como ser diferente refletindo o tombo do petróleo e de outros ativos lá fora”, comenta a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Antecipando um dia de forte estresse, o Banco Central (BC) alterou o valor ofertado no leilão de venda de dólares no mercado à vista de US$ 1,0 bilhão anunciados na sexta-feira para US$ 3,0 bilhões. O volume total foi aceito em operação realizada logo após a abertura dos negócios, quando a moeda norte-americana iniciou o pregão perto de R$ 4,76. Valor R$ 0,12 mais alto do que de fechamento na sexta-feira, de R$ 4,6340.

“Apesar da intervenção mais agressiva do BC, é difícil contornar o cenário de estresse quando é global”, acrescenta a economista. Com o leilão somado às declarações do diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, a moeda teve um “pequeno alívio pontual”, no qual chegou a renovar mínimas a R$ 4,7210 (+1,87%).

Segundo o diretor da autoridade monetária, a escolha do instrumento de intervenção no mercado de câmbio depende das “condições de mercado e da forma como se apresenta eventual disfuncionalidade a cada momento”. Serra ressalto que o BC dispõe de swaps cambiais, linhas de liquidez e operações definitivas em dólar como instrumentos de intervenção no mercado.

“Desde o início das preocupações com a propagação do coronavírus, o real mostrou tendência de depreciação acelerada, semelhante a períodos de crise aguda. O BC então, diagnosticou as condições necessárias para atuação. As intervenções têm sido pontuais, respondendo a eventos e disfuncionalidades específicas, mas podem durar o tempo que for necessário para o retorno do regular funcionamento do mercado de câmbio”, disse o diretor em evento em São Paulo.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta forte, porém longe dos limites máximos estabelecidos para o dia, assim como o dólar. Ainda assim, os negócios locais são pressionados pela maior aversão ao risco no exterior, em meio à forte queda nos preços do petróleo, após a resposta agressiva da Arábia Saudita contra a Rússia. Ao mesmo tempo, os investidores calibram as expectativas em relação ao rumo da Selic.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,935%, de 3,84% após o ajuste na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,53%, de 4,40% no ajuste ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,23%, de 5,08%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,25%, de 6,04%, na mesma comparação.