MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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Gráfico

São Paulo – Após chegar a subir mais de 2% pela manhã, o Ibovespa zerou ganhos e ensaia uma queda puxada pelas ações de bancos. Mesmo a alta de Bolsas no exterior hoje e a expectativa de queda da Selic, após sinalização do Banco Central (BC) ontem, não está sendo suficiente para manter o índice em alta, diante das incertezas trazidas pelo surto de coronavírus, o que também tem levado a maior saída de estrangeiros da Bolsa.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava ligeira alta de 0,16% aos 105.709,03 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 11,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 0,55% aos 106.055 pontos.

“O mercado tentou sustentar a alta, mas também falta dinheiro, podem ser investidores estrangeiros saindo de ações de bancos, que têm grande peso no índice. Mesmo o BC podendo baixar juros não está sendo suficiente”, disse o operador de renda variável da Commcor, Ari Santos.

Após oscilar e ensaiar queda, o dólar comercial acelerou os ganhos e renova máximas históricas intraday, agora acima de R$ 4,55, em meio à leitura de que o BC deverá cortar a taxa básica de juros (Selic) na reunião de política monetária nos dias 17 e 18.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,79%, sendo negociado a R$ 4,5490 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 0,71%, cotado a R$ 4,556.

“O comunicado do BC ontem ratificou a leitura do mercado doméstico de que o Copom [Comitê de Política Monetária] deve cortar a Selic no dia 18. A magnitude, se será corte de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 seguindo o Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano], ainda é dúvida entre os investidores”, comenta o economista da Guide Investimentos, Victor Beyrutti.

O economista ressalta que, diante dessa perspectiva, o cenário segue “bastante” negativo para o dólar, uma vez que a pressão altista seguirá. “Enquanto o BC cortar juros, a gente seguirá com a moeda nas máximas. Cortar a taxa pode até amortecer os efeitos dos coronavírus, mas não vai resolver os impactos.

“O Copom deveria esperar mais um pouco para algum ajuste monetário em decorrência dos impactos do surto da doença, principalmente agora, após o Fed cortar os juros, o que na verdade, provocou mais pânico do que alívio nos mercados”, acrescenta Beyrutti.

Em meio à pressão do mercado doméstico para mais um corte da Selic, o que reflete em forte queda das taxas dos contratos futuros de juros (DIs), o economista aponta que seria mais eficaz para o dólar se o BC não cortar juros do que fazer operações seja de swap cambial tradicional – equivalente à venda de dólares no mercado futuro, seja venda das reservas cambiais  por meio de leilões.

Mais cedo, saíram os dados da criação de vagas de trabalho no setor privado norte-americano, divulgados pela ADP, no qual apontou novos 183 mil vagas em fevereiro, ante expectativa de 155 mil vagas. “Os números vieram um pouco acima, mostrando que não pegou muito efeito do coronavírus nos Estados Unidos. O que pode indicar um payroll um pouco forte ainda sem sentir os efeitos do avanço da doença”, destaca.

As taxas dos contratos futuros de juros seguem em forte queda, sustentando os níveis observados logo na abertura do pregão. Os investidores reagem ao comunicado do Banco Central ontem, no qual ajustou a comunicação sobre a condução da Selic, sinalizando novos cortes, e também aos números fracos da economia brasileira ao final de 2019.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,695%, de 3,85% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,13%, de 4,25% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,74%, de 4,87% ao final da última sessão; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,72%, de 5,84%, na mesma comparação.