MERCADO AGORA: Veja o comportamento dos negócios no início da tarde

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Por Danielle Fonseca, Flávya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou perdas no início da tarde com investidores preferindo adotar posições mais cautelosas à espera da assinatura da primeira fase de um acordo comercial entre China e Estados Unidos. O índice também reflete a frustração com dados mais fracos do que o esperado das vendas de varejo no Brasil.

O estrategista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilacqua destaca queas tratativas entre os dois países se arrastaram por quase 18 meses e a indefinição causou estragos na economia chinesa. “Com a assinatura do acordo, espera-se que as relações comerciais entre as duas economias se normalizem”, disse, em relatório.

No entanto, há ainda há especulações em torno do acordo e persistem dúvidas, já que o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, disse que tarifas sobre produtos chineses já em vigor só podem ser retiradas em uma segundo fase do acordo.

Já na cena doméstica, as vendas no varejo subiram 0,6% em novembro ante outubro, sendo que o mercado previa alta de 1,2%. Embora tenham mostrado crescimento, o fato de ter sido menor do que o esperado traz alguma frustração, se juntando a dados mais fracos que já tinham sido divulgados do setor de serviços ontem e da produção industrial na semana passada.

O dólar também acelerou a alta ante o real diante da espera pela assinatura do acordo e piores dados do varejo, que levantaram dúvidas sobre o ritmo da recuperação da economia doméstica.

Por volta das 13h30, o Ibovespa caía 1,12%, para 116.314 pontos, enquanto odólar comercial avançava 1,25%, para R$ 4,1830 à vista.

As taxas dos contratos futuros de juros, por sua vez, seguem em queda acelerada já que os dados do varejo esquentaram o debate sobre novos cortes na Selic. O movimento, porém, é limitado pela forte alta do dólar.

Especialistas avaliam que a metade do crescimento esperado do varejo em pleno mês da Black Friday confirma que a tração da economia estava mais fraca ao final de 2019, o que aumenta a chance de um PIB menor no quarto trimestre do ano passado. Mas ainda não há consenso sobre uma queda adicional do juro básico na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano, no mês que vem.