Membros do Fed apontaram aumento em riscos negativos desde julho, diz ata

Prédio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Washington. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

Por Gustavo Nicoletta e Cristiana Euclydes

São Paulo – A visão geral do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em setembro era de que os riscos negativos ao crescimento econômico haviam aumentado desde julho, segundo a ata da reunião mais recente do grupo.

Segundo o documento, os membros do grupo julgaram que “os riscos negativos para as perspectivas de atividade econômica haviam aumentado um pouco desde a reunião de julho, principalmente os decorrentes da incerteza das políticas comerciais e das condições no exterior.”

“Além disso, embora as leituras sobre o mercado de trabalho e a economia em geral continuassem fortes, havia um quadro mais claro da fraqueza prolongada nos investimentos, na produção industrial e nas exportações”, acrescentou a ata.

Segundo o Fed, o risco de o Reino Unido deixar a União Europeia – processo
apelidado de Brexit – ocorrer sem um acordo entre as duas partes era
“significativo” e as tensões geopolíticas em Hong Kong e no Oriente Médio
se intensificaram.

“Vários participantes comentaram que, após esse aumento nos riscos negativos, a fraqueza nos gastos, na indústria e nas exportações poderia levar a menos contratações, um desdobramento que provavelmente pesaria no consumo e nas perspectivas econômicas gerais”, disse a ata.

O documento ressaltou ainda que vários membros do comitê de política monetária mencionaram que os modelos estatísticos projetados para medir a probabilidade de recessão, incluindo os baseados no comportamento da curva de juros, sugeriam um aumento notável na probabilidade de uma recessão ocorrer no médio prazo.

“No entanto, alguns desses participantes enfatizaram a dificuldade de extrair o sinal correto desses modelos de probabilidade, especialmente no período atual de níveis incomumente baixos de prêmios a prazo”, acrescentou a ata.

INFLAÇÃO

Com relação à inflação, a taxa segue abaixo da meta de 2%, apesar de algumas leituras recentes mais fortes, e a algumas estimativas da tendência de inflação também ficaram abaixo da meta. “As pressões inflacionárias continuaram fracas”, segundo a ata.

Os riscos às perspectivas também aumentaram. “À luz da fraqueza na economia global, percepções de riscos negativos para crescimento e moderadas pressões inflacionárias, alguns participantes continuaram vendo os riscos para as perspectivas da inflação como ponderados pelo lado negativo”, diz a o documento.

Assim, “muitos participantes também citaram o nível de inflação ou
expectativas de inflação como justificativas de uma redução de 0,25 ponto
percentual (pp) pontos na taxa básica de juros” dos Estados Unidos, para o
intervalo atual entre 1,75% e 2,00%.

Segundo a ata, medidas apontam que as expectativas de inflação podem estar abaixo dos níveis consistentes com a meta de 2% ou que em breve pudem cair abaixo de tais níveis. “Nesse cenário, os participantes sugeriram que um afrouxamento das políticas ajudaria a sublinhar o compromisso dos formuladores de políticas com a meta simétrica de 2% de prazo mais longo”.

Por fim, os membros afirmaram que a taxa de inflação do país está sendo sobrecarregada por forças desinflacionárias globais. Desta forma, “os
formuladores de políticas viram poucas chances de um aumento exagerado
inflação em resposta à acomodação adicional de políticas e argumentaram
que esse aumento, caso ocorra, poderia ser tratado de maneira direta usando ferramentas convencionais de política monetária”.

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