Membros do Fed aguardam mais avanços no mercado de trabalho dos EUA

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São Paulo – Dois presidente regionais do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) reconheceram que a recuperação da economia dos Estados Unidos ganhou impulso, mas manifestaram o desejo de mais avanço no mercado de trabalho.

“Agora, outra coisa que tenho certeza que você ouviu de outros presidentes do Fed esta semana é que a economia dos Estados Unidos, em geral, está em boa forma geral. O PIB voltou com força total após uma contração recorde durante o primeiro semestre de 2020; consumo, habitação e manufatura são extremamente saudáveis; e a renda dos trabalhadores está aumentando”, disse o presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harher, durante evento virtual.

Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuperado quase totalmente as perdas do ano passado, Harker – que este ano não tem direito a voto – afirmou que o emprego continua em níveis baixos.

“Ainda temos quase 7,6 milhões de pessoas a menos trabalhando do que antes da pandemia. E se você assumir que teríamos mantido nosso crescimento de empregos pré-pandêmicos de cerca de 200.000 vagas por mês se a covid-19 nunca tivesse chegado, estamos realmente com uma queda de cerca de 10,6 milhões de postos de trabalho”, disse.

Participando do mesmo evento, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse que muitos líderes empresariais estão relutantes em contratar trabalhadores porque não têm certeza de qual será sua demanda depois que a economia dos Estados Unidos se estabilizar.

Mas Bostic – que este ano tem direito a voto – indicou que é muito cedo para saber se a demanda por trabalhadores permanecerá baixa, já que a economia continua crescendo.

“Precisamos de uma economia que funcione para todos e isso significa ter uma economia mais resiliente e mais forte. A noção de investimento em crescimento mais igualitário e mais sustentável se encaixa nessa ideia”, disse ele.

Tanto Harker como Bostic concordaram que os legisladores norte-americanos precisam investir em infraestrutura, incluindo a expansão do acesso à internet banda larga, para garantir que a economia seja mais justa.

Eles também disseram que alguns trabalhadores precisam de ajuda para serem transferidos para empregos de melhor remuneração que não exijam diploma universitário.

Em evento separado, o presidente da unidade do Federal Reserve de Richmond, Thomas Barkin, afirmou que é prudente que o banco central norte-americano comece ponderar a normalização de sua política monetária ao mesmo tempo em que reconheceu a transitoriedade da inflação elevada nos Estados Unidos.

Falando durante evento da Câmara de Raleigh, na Carolina do Norte, previu que o salto da inflação norte-americana deverá perder força no quarto trimestre do ano.

“A demanda reprimida está tendo impacto nos preços. A questão agora não é mais o lado da demanda, mas o lado da oferta”, disse ele, acrescentando que está observando se os salários sofrerão pressão sustentada para cima.

Barkin, que tem direito a voto, comentou também que há escassez de bens e trabalhadores na economia e que, uma vez que a oferta se normalizar, a maioria dos preços voltar a cair.

As declarações acontecem em um momento no qual alguns membros do Fed começaram a defender o início das discussões sobre a retirada da política de dinheiro fácil oferecida pelo banco central para ajudar a economia norte-americana a enfrentar a crise.

Parte desses membros defendem a definição do prazo para a redução gradual das compras de ativos, hoje em US$ 120 bilhões mensais, já que a economia dá sinais de força, o mercado de trabalho começa a se recuperar e a inflação está acelerando no país.

No entanto, muitos deles, incluindo o presidente do Fed, Jerome Powell, vem reforçando a noção de transitoriedade da inflação mais alta e destacando que o mercado de trabalho se recupera de maneira desigual, o que demandaria a manutenção da acomodação por mais tempo.