Membros do Fed concordam em subir juros em 0,5 pp nas próximas duas reuniões

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São Paulo – A maioria do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) consideraram ser apropriado elevações de 0,5 ponto percentual (pp) na taxa básica de juros nas próximas reuniões. Os membros também avaliaram ser apropriado liquidar totalmente os ativos hipotecários, logo após o encaminhamento da redução de balanço, programada para ter início no próximo dia 1º de junho.

De acordo com a ata da reunião, a inflação se mantém elevada, refletindo os contínuos desequilíbrios entre oferta e demanda, a alta da energia e outras pressões nos preços. Outro agravante, segundo a ata, é a continuação da guerra na Ucrânia, que pressiona os preços e deve pesar na atividade econômica.

“Os participantes julgaram que as implicações para a economia dos Estados Unidos eram altamente incertas.A invasão e eventos relacionados estão criando pressão adicional para a inflação e susceptivelmente pesar sobre a atividade econômica”, explica o documento.

Os membros, agora, esperam que o produto interno bruno (PIB) dos Estados Unidos volte a crescer neste trimestre. Nas discussões, os membros do Fomc avaliaram uma expansão mais moderada da economia em relação ao ano passado, com o mercado de trabalho apertado, o consumo em alta e um equilíbrio maior entre oferta e demanda ao longo do ano.

“Os participantes esperam que o PIB real cresça solidamente no trimestre atual. Em sua discussão sobre as perspectivas econômicas além do curto prazo, eles indicaram que esperam uma expansão mais moderada este ano do que em 2021”, diz o documento.

Nas discussões, os membros também disseram esperar um aumento robusto nos gastos do consumidor devido ao baixo desemprego e alta poupança. Além disso, o Comitê afirmou que aumento vertiginoso dos juros projetados dos Treasuries estão associados com o aumento da taxa básica de juros, principalmente nas hipotecas.

A ata ainda ressalta que a demanda ainda segue prejudicada, sobretudo pela interrupção na cadeia de suprimentos global. Os membros do Comitê dizem acreditar que uma moderação na demanda por meio da mão-de-obra não afetaria a taxa de emprego. O principal fator que poderia prejudicar o número de empregos, segundo o Fomc, é a alta inflação.

“Alguns participantes sugeriram que a erosão indesejada dos salários reais devido à alta inflação pode ter contribuído para o aumento da oferta de mão-de-obra. Muitos participantes disseram que esperavam que o mercado de trabalho permanecesse apertado e as pressões salariais permanecessem elevadas por algum tempo”, explica o documento.

PANDEMIA NA CHINA

Os membros do Comitê também discutiram a situação da pandemia na China. Os recentes lockdowns em cidades chinesas provavelmente causarão interrupções na cadeia de suprimentos, o que poderia potencialmente pressionar os preços para empresários e consumidores nos Estados Unidos.

“Os membros também concordaram que os bloqueios relacionados ao coronavírus na China vão provavelmente exacerbar interrupções da cadeia de suprimentos”, diz o documento.

INFLAÇÃO

Em relação às previsões sobre a inflação, alguns membros acreditam que o índice pode não seguir aumentando nos próximos indicadores. No entanto, o Comitê acredita que ainda é cedo demais para afirmar que o pico da inflação já passou, mas os membros acreditam que a expectativa projetada segue de acordo com o objetivo do Fed.

“Com a firmeza adequada na política monetária e uma eventual flexibilização das restrições de oferta, as expectativas de inflação de longo estão no caminho para retornarem aos níveis consistentes com o objetivo de longo prazo do Comitê”, explica o documento.

De acordo com a ata, os membros também acreditam que os riscos para a inflação permanecem altos, já que a interrupção na cadeia de suprimentos e os altos preços de energia persistem. Outro risco, segundo os membros, é o aumento nominal de salários acima de 2%, que pode elevar o consumo e consequentemente ao aumento da inflação.