Melhora na relação entre EUA e China e PIB brasileiro fazem bolsa e dólar subirem

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – A redução da tensão comercial entre China e Estados Unidos e o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro mais forte do que o esperado fizeram o Ibovespa subir pelo terceiro pregão consecutivo, com ganhos de 2,37%, aos 100.524,43 pontos. O índice não fechava acima dos 100 mil pontos desde o dia 22 (100.011,28 pontos) e com a alta de hoje reduziu a queda do acumulado do mês de agosto, que está com perdas de 1,26%. O volume total negociado foi de R$ 18,4 bilhões.

“O mercado como um todo está reagindo, temos ações dando puxadas interessantes, e não sentimos a questão da Argentina. O exterior está ajudando e o PIB acima do esperado sem dúvida também é boa notícia, ajuda a retomar boas perspectivas”, disse o CEO da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo, que ainda destaca que seria importante o Ibovespa conseguir se manter acima dos 100 mil pontos amanhã, voltando a criar um suporte técnico neste patamar para seguir em alta.

Para o analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, a queda recente do Ibovespa, que chegou a tocar os 95 mil pontos na última segunda-feira, também voltou a atrair compras, em meio a uma recuperação do cenário externo e ainda com “o fator PIB” hoje. “O mercado aproveita, há uma percepção de que a Bolsa em dólar voltou a ficar mais barata, poderia voltar a atrair estrangeiros”, disse. Neste mês, o saldo de investimentos estrangeiros ainda segue fortemente negativo em Bolsa.

No cenário internacional, os índices norte-americanos fecharam com ganhos de mais de 1%, depois que o Ministério do Comércio da China disse que Pequim e Washington permanecem “em comunicação efetiva” e que provavelmente vão se reunir em setembro, conforme agendado antes dos anúncios pelos dois países sobre a imposição de novas sobretaxas.  O PIB norte-americana também ajudou ao vir dentro do esperado.

Na cena local, o destaque também foi o PIB, que subiu 0,4% no segundo trimestre frente ao trimestre anterior, resultado acima da mediana projetada pelo Termômetro CMA, de alta de 0,20%, afastando temores de uma recessão técnica no Brasil. A melhora da economia doméstica mostrada pelo PIB impulsiona ações de diversos segmentos que dependem da demanda local, como dos setores de consumo, varejo, serviços, industrial e construção.

É o caso das ações da Usiminas (USIM5 9,13%), que registrou a maior alta do Ibovespa e fornece aço principalmente para a indústria automobilística. O papel também sofreu influência da alta dos preços do minério de ferro, que subiram após as declarações da China, o que afetou ainda os papéis de outras siderúrgicas e os da Vale (VALE3 3,73%).

Ao lado da Usiminas, ficaram os papéis da MRV (MRVE3 7,65%) e da Marfrig (MRFG3 6,78%). Um operador afirma que um grande fundo montou posições na Marfrig, ajudando a acelerar a alta, além disso, o cenário segue positivo para frigoríficos com aumento de preços de proteínas depois da gripe suína africana na China. Hoje, a Indonésia também abriu seu mercado para as carnes brasileiras, habilitando dez fábricas para exportações.

Na contramão, entre as únicas quedas ficaram a Raia Drogasil (RADL3 -1,57%) e da BRF (BRFS3 -0,56%), que sofreram com investidores ajustando carteiras no fim do mês.

Amanhã, último pregão de agosto, o analista do Daycoval lembra que investidores podem “puxar” o índice para fechar melhor o mês. No entanto, ainda será preciso observar se o tom positivo irá continuar no cenário externo. Na agenda, o destaque são os dados sobre renda e gastos pessoais norte-americanos.

O dólar comercial fechou em alta de 0,43% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1720 para venda – renovando o maior patamar do ano – e na segunda maior alta da história, após acelerar os ganhos em pregão pouco volátil influenciado pelo exterior dividido com um “aparente” alívio na guerra comercial entre Estados Unidos e China, enquanto a Argentina permanece no radar de investidores locais com temores de contágio. 

Para o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes, o fato é que o pedido de moratória da Argentina, de qualquer forma, acabou “pesando” na precificação do real ante o dólar, “mesmo em meio à um clima mais tranquilo no exterior”, comenta.

Os conflitos comerciais entre Estados Unidos e China mostraram um “pontual alívio”, com os governos dos países demonstrando uma “comunicação efetiva”, destaca. Para o analista, o mercado ainda tem o “investidor especulador” que continua “testando” o Banco Central (BC) mantendo a moeda norte-americana próxima dos R$ 4,20 e acima do patamar de R$ 4,00 há dez pregões seguidos, rompendo a sequência registrada em maio, quando o dólar se manteve acima deste nível por nove sessões consecutivas.  

Amanhã, na agenda de indicadores dos Estados Unidos tem os números de renda e gastos pessoais em julho, com previsão de alta de 0,30% e de 0,50%, respectivamente. Para o estrategista-chefe da BCG Corretora, Juliano Ferreira, os dados não devem influenciar na cotação da moeda, porém, “merecem” atenção. “Na parte da manhã, o movimento pela Ptax deverá prevalecer”, comenta.

No último pregão do mês, tem a tradicional “disputa” pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações do dólar apurada pelo Banco Central. Porém, Ferreira ressalta que é preciso avaliar o comportamento dos mercados emergentes na abertura. “O exterior que deve ditar o rumo dos negócios se não for na abertura, será após a formação da Ptax”, diz.

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