Média móvel de mortes por covid no Brasil sobe pelo 9º dia e é recorde

Imagem microscópica do coronavírus
Imagem microscópica do coronavírus causador da covid-19. (Foto: Hannah A Bullock e Azaibi Tamin/CDC)

São Paulo – A média móvel de sete dias das mortes provocadas pela covid-19 no Brasil aumentou pelo nono dia seguido e atingiu 1.262 ontem, novo recorde que reforça a gravidade da pandemia no país e explica o pedido conjunto de secretários de saúde estaduais para que sejam adotadas medidas duras de restrição à circulação para evitar o colapso dos hospitais.

Ao mesmo tempo em que as mortes provocadas pela covid-19 aumentam, a média móvel de novos casos da doença continua perto do recorde observado em 9 de janeiro (57.163), mesmo tendo caído pela primeira vez desde 23 de fevereiro, para 55.579 por dia, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Em 13 estados, a taxa de ocupação de leitos de UTI está maior que 85%, nível considerado crítico pelas autoridades de saúde e que indica colapso iminente do sistema de saúde. A pior situação é a do Rio Grande do Sul (99,65%), seguido de Rondônia (96,87%), Goiás (95,23%), Santa Catarina (94,44%) e Acre (92,45%). Os dados foram compilados pelo covid19BrBot, iniciativa que compila os dados oficiais referentes à pandemia.

Na segunda-feira, o Conass divulgou uma carta em que defende a adoção de um protocolo único para lidar com o agravamento da pandemia observado desde o final do ano passado. Entre as medidas, estão restringir “em nível máximo” a circulação nas regiões em que a ocupação de leitos de UTI estiver acima de 85% e a tendência no número de casos e óbitos estiver em elevação.

As restrições incluiriam a proibição de eventos presenciais como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas, a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação, um toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana, fechamento de praias e bares, a adoção de trabalho remoto sempre que possível, a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual, e medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos.

Também entraria no protocolo a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos, o reconhecimento legal do estado de emergência sanitária e a viabilização de recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS), a adoção de um plano de comunicação nacional para falar da covid-19 e como prevenir a disseminação, a permissão legal para a compra de todas as vacinas eficazes e seguras disponíveis no mercado mundial e o retorno imediato do auxílio emergencial.