Lucro da BRF cai 5,5% no 2º tri, para R$ 307 mi

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Foto Divulgação/BRF

São Paulo – O lucro da BRF caiu 5,5% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 307 milhões, mesmo diante de um aumento de 9,2% na receita líquida, para R$ 9,104 bilhões, refletindo um aumento nas despesas da companhia.

O resultado leva em consideração todas as operações da BRF, inclusive as que foram desativadas ou estão sendo mantidas para venda pela empresa.

Desconsiderando estas operações, o lucro também teria sido de R$ 307 milhões, mas teria crescido 60,8% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

A companhia divulgou que o custo de venda de seus produtos no segundo trimestre aumentou 14,1%, a R$ 7,125 bilhões, abocanhando 78,3% da receita operacional líquida – mais que os 74,9% do mesmo período de 2019.

A BRF atribuiu o crescimento ao aumento médio dos preços dos grãos (+25,9% na comparação anual) e à desvalorização cambial (+37,3%), que encareceram a compra de insumos e suprimentos, e em menor grau a custos associados ao combate dos efeitos da covid-19 nas operações.

As despesas operacionais também cresceram, em 10,0%, para R$ 1,530 bilhão, também em decorrência de medidas de prevenção e combate aos efeitos da covid-19 nas operações e a despesas em reais no mercado internacional por conta da desvalorização cambial.

A BRF, porém, registrou queda de 69,3% no prejuízo com operações financeiras, para R$ 190 milhões, principalmente por causa de um ganho de R$ 338 milhões decorrente da mensuração a valor justo da opção de venda relacionada à combinação de negócios com a Banvit, na Turquia.

O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia diminuiu 21,9% no segundo trimestre ante o mesmo mês do ano passado, para R$ 1,177 bilhão, enquanto o ebitda ajustado – que exclui despesas legais com as operações Carne Fraca e Trapaça e com reestruturação corporativa e ganhos com recuperações tributárias – caiu 33,3%, para R$ 1,031 bilhão.

A dívida líquida da BRF aumentou em 10,2% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$ 15,311 bilhões, mas a relação entre a dívida e o ebitda ajustado de 12 meses caiu de 3,74 para 2,89 vezes.

OPERAÇÃO

As vendas da BRF no segundo trimestre caíram 0,7% em relação ao mesmo período de 2019, para 1,083 milhão de toneladas.

No Brasil, houve crescimento de 6,3%, para 552 mil toneladas, com redução de 13,8% nas vendas de aves in natura, a 105 mil toneladas, e aumento nas vendas de suínos in natura (7,9%, a 31 mil toneladas) e processados (12,9%, a 416 mil toneladas).

No segmento internacional, as vendas diminuíram 8,2%, para 463 mil toneladas, puxada por resultados mais fracos nas vendas de aves in natura (-12,4%, a 352 mil toneladas) e processados (-1,3%, a 63 mil toneladas), mas com recuperação nas vendas de suínos in natura (+23,7%, a 48 mil toneladas).

A BRF atribuiu parte do resultado negativo no segmento internacional a problemas para exportação decorrentes de um ciclone que atingiu a região Sul do Brasil.

“Este evento gerou intercorrências nos embarques, em virtude da impossibilidade da realização de certificações e o natural remanejamento de navios, dadas as condições climáticas adversas. O impacto na reprogramação de embarques, em junho postergados para julho, foi de 8 mil toneladas, aproximadamente”, disse a empresa.

“Adicionalmente, em função da redução da alavancagem operacional pela covid-19 e ajustes na cadeia produtiva, deixamos de produzir e atender 22 mil toneladas de proteína, sendo 13 mil toneladas na Ásia e 9 mil toneladas no segmento de exportações diretas para o Oriente Médio”, acrescentou.