Lira escancara pressão do Congresso por novo ministro da Saúde

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

São Paulo – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), deixou público neste fim de semana que o Congresso está pressionando o Planalto para que encontre um substituto para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Em sua conta no Twitter, ele manifestou seu apoio à nomeação de Ludhmila Ajjar para o cargo.

“O enfrentamento da pandemia exige competência técnica, sem dúvida nenhuma. Mas exige ainda mais uma ampla e experiente capacidade de diálogo político, pois envolve todos os entes federativos, o Congresso, o Judiciário, além do complexo e multifacetado Sistema Único de Saúde”, disse Lira ontem em sua conta no Twitter.

“Coloquei os atributos necessários p/ o bom desempenho à frente da pandemia: capacidade técnica e de diálogo político com os inúmeros entes federativos e instâncias técnicas. São exatamente as qualidades que enxergo na doutora Ludhmila”, afirmou.

“Espero e torço para que, caso nomeada ministra da Saúde, consiga desempenhar bem as novas funções. Pelo bem do país e do povo brasileiro, nesta hora de enorme apreensão e gravidade. Como ministra, se confirmada, estarei à inteira disposição”, acrescentou.

Os comentários de Lira referem-se a Ludhmila Abrahão Ajjar, médica do Instituto do Coração e diretora de Ciência, Inovação e Tecnologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Notícias recém-publicadas, no entanto, apontam que ela não será a escolhida por Bolsonaro para o cargo, embora tenha conversado com o presidente.

Os rumores sobre a troca de Pazuello se arrastam há semanas, mas apenas nos últimos dias ganharam forma. O jornal O Globo havia dito que o ministro pediu para deixar o cargo por problemas de saúde, mas assessores da pasta distribuíram nota negando a informação e dizendo que ele permaneceria no cargo.

Pazuello está na mira do Congresso e de governadores por causa dos episódios recentes de colapso no sistema de saúde pública nos estados e das dificuldades do Brasil em manter, sem interrupções, um programa de vacinação contra a covid-19, ao mesmo tempo em que o número de novos infectados e de mortos pela doença bate recordes sucessivos.

No sábado, a média móvel de sete dias de novos casos de covid-19 no Brasil atingiu um recorde de 71.443, caindo para 66.289 ontem. Além disso, no domingo, a média móvel de mortes provocadas pela doença no Brasil chegou a 1.831 – nova máxima histórica. Os dados são do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Metade dos estados e o Distrito Federal registram taxas de ocupação de leitos de UTI superiores a 90%, e apenas oito estão abaixo da marca de 85% – que indica a iminência de um colapso no atendimento à população.