Lagarde prevê deflação pelos próximos dois anos na eurozona devido à crise

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde / Foto: BCE/Adrian Petty

São Paulo – A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a eurozona deve permanecer em deflação pelos próximos dois anos devido aos impactos da crise do novo coronavírus. Ela, no entanto, destacou que a recessão deve acelerar transformações já latentes na economia, afirmando que a Europa possui a capacidade necessária para lidar com os obstáculos.

“A transição para novos modelos econômicos [decorrentes da pandemia] será perturbadora – eles provavelmente serão mais disruptivos nos primeiros dois anos, obviamente atingindo emprego e produção – e então, só depois, podemos esperar que melhore a produtividade”, disse Lagarde em evento virtual da Aix-en-Seine.

“Portanto, a dinâmica da inflação será necessariamente impactada, provavelmente com um aspecto desinflacionário e deflacionário a princípio e depois haverá uma dinâmica inflacionária”, previu ela.

Segundo Lagarde, um dos maiores exemplos de transformação causados pela crise será a digitalização do trabalho e das relações comerciais, além da disruptura no fornecimento de estoques. “Estima-se que a crise leve a uma contração de cerca de 35% nas cadeias de suprimentos e a um aumento de 70% a 75% na robotização”, afirmou ela.

Devido a isso, o banco central precisará manter sua política monetária excepcionalmente acomodativa, e será necessário desenvolver instrumentos financeiros que permitam o financiamento da transformação econômica, disse ela.

Ela destacou que, apesar dos desafios atuais, pretende manter seu objetivo de construir uma economia sustentável. “Estou determinada a tentar garantir que em todas as áreas o risco climático e a biodiversidade sejam levados em consideração”, disse ela. “Não faremos isso em um dia, mas devemos questionar em todos os domínios, teste de estresse por teste de estresse”.