Lagarde, do BCE, sinaliza aumento da taxa de juros por conta da inflação alta

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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde / Foto: BCE

“O BCE (Banco Central Europeu) tem enfatizado consistentemente a opcionalidade em sua política monetária, o que abre espaço para respondermos às surpresas da inflação de forma oportuna e eficiente”, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, na celebração de 30 anos do Banco da Eslovênia.

O provável aumento na taxa de juros do BCE deve vir algum tempo depois do encerramento do programa de compra de ativos (APP), no início do terceiro trimestre. “Ainda não definimos com precisão a noção de ‘algum tempo’, mas deixei muito claro que isso pode significar um período de apenas algumas semanas. Após a primeira alta de juros, o processo de normalização será gradual”, disse.

Lagarde citou os efeitos da pandemia sobre a economia da zona do Euro, da retração da demanda, e da sua recuperação no final de 2021. “A recuperação incomumente rápida na demanda foi atendida com uma recuperação surpreendentemente lenta na oferta, já que a produção demorou para voltar a funcionar após os lockdowns. Isso causou escassez e interrupções na cadeia de suprimentos, que se traduziram em aumento da inflação de energia, alimentos e bens industriais”.

O início da guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe ainda mais incertezas para a região, visto que a Europa é bastante dependente do fornecimento de petróleo da Rússia. “Isso complicou ainda mais a situação da política monetária, uma vez que, no curto prazo, inflação e crescimento caminham em direções opostas”.

Mas a reação inicial do BCE foi na direção contrária às dos demais bancos centrais: manteve a taxa de juros em 0%. “A resposta inicial do BCE foi regida pela nossa nova estratégia de política monetária, que exige paciência e persistência ao sair de um longo período de inflação muito baixa”.

Ela citou que as perspectivas de inflação de médio prazo vêm mudando, junto com a incerteza da guerra no leste europeu, podem levar a mais choques negativos de oferta e pressão de custos. “Não temos excesso de demanda agregada na área do euro, o consumo e investimento ainda estão abaixo dos níveis pré-crise, e a guerra está criando um desafio para a política monetária ao moderar as taxas de crescimento e aumentar ainda mais a inflação”.

Outro desafio imposto pela guerra é a transição para combustíveis renováveis. “Isso provavelmente manterá a pressão não apenas nos preços dos combustíveis fósseis, mas também na demanda por alguns dos metais e minerais que já estão em falta”.
“Estou convencida de que, aconteça o que acontecer, encontraremos a resposta certa para isso, e continuaremos aproveitando os momentos de oportunidade que essas crises proporcionam”, conclui.