Klabin busca liderança em kraftliner com mudança em Puma II

Foto: Klabin (divulgação)

São Paulo – A Klabin disse que o anúncio da mudança do escopo das obras de Puma II, da produção para cartões, permitirá gerar maior valor para os acionistas e entrar em novos mercados e aposta na forte demanda global de substituição de sacolas de plástico por papel, além da perspectiva de redução dos custos de produção com o novo maquinário.

“A Klabin será um dos três principais fornecedores de kraftliner do mundo. Um dos grandes motivadores econômicos do investimento em Puma II foi a redução do custo fixo. Esse mercado é nosso porto seguro, é restrito e a Klabin é um dos grandes fabricantes globais de kraftliner, não depende de grandes fornecimentos. Estamos muito confiantes nesse investimento, que traz estabilidade de resultados e maior competitividade pois garantirá um produto final mais tecnológico”, disse o diretor geral da companhia, Cristiano Teixeira, em teleconferência para investidores e analistas.

Em 5 de maio, a companhia anunciou a conversão da máquina para produção de cartões e atualizou o valor do investimento no projeto para R$ 12,9 bilhões, sem necessidade de contratação de financiamiento adicional. Em 2 de maio, as obras estavam 88% concluídas.

“Temos uma responsabilidade histórica, queremos entrar bem com as máquinas 27 e 28. A visão estratégica é uma conversa constante, nosso foco agora é a entrada em operação dessas máquinas”, disse o executivo.

Os investimentos em produção também devem melhorar o ROIC (Retorno Sobre o Capital Investido), com variações entre períodos, mas a companhia não informou projeções. No primeiro trimestre, o indicador atingiu 16,5%.

A companhia disse que atualmente também compra papel no Brasil com objetivo de atender à demanda crescente da área de embalagens.

Um terço do mercado da companhia está no mercado externo e seus resultados refletem os preços de venda e spreads do mercado externo, além da crescente pressão sobre os custos. O custo caixa de produção da companhia subiu 12% no 1T21, em relação ao 1T20, e 3% nos últimos 12 meses, para R$ 776 e R$ 745 por tonelada.

A Klabin tem uma plataforma de 700 mil toneladas em sua planta de Monte Alegre (PR) e 98% da plataforma de cartões está em alimentos e higiene e busca ampliar mercado no segmento de cervejas.

Para 2021, os executivos disseram que a entrada de concorrentes está limitada e que projetam um cenário positivo para a demanda no mercado de cartões. A expectativa é de um crescimento de dois dígitos para este ano, com antecipação do que a companhia previa crescer em 2023, devido à expansão de capacidade limitada da concorrência.

“A oferta e a demanda devem continuar fortes, sem entrada de novas capacidades, com espaço para novos aumento de preço e melhorias de margem. A companhia entregará um ritmo de geração de caixa por ebitda ainda mais forte nos próximos trimestres”, disseram, sem divulgar projeções.

Em relação à elevação de preços da celulose mundialmente e o gap com a China, entre US$ 95 e US$ 100, deve permitir algum espaço para ajustes de preço na Europa e Estados Unidos, se o mercado permitir.

“Enxergamos uma acomodação dos níveis de preço na China, mas não enxergamos nenhum ponto de inflexão já que a demanda continua forte na Europa e nos Estados Unidos, sem previsão de que alguma inflexão ocorra no curto prazo”, disse o diretor financeiro, Marcos Paulo Conde Ivo.

No primeiro trimestre, a companhia disse que um cenário de maior equilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado mundial de celulose levou à altas dos preços de fibra curta (BHKP) e fibra longa (BSKP) na China, medidos pelo índice FOEX, respectivamente US$ 610/t e US$ 827/t em média no período. Estes valores representam crescimento de 32% e 34% em relação ao 4T20 e denotam um spread acentuado entre a fibra curta e a fibra longa, no valor de US$ 217/t.

“A Klabin, como única produtora dos três tipos de celulose (fibra curta, fibra longa e fluff) se beneficia mais uma vez do seu portfólio diversificado.”

Em container board, a empresa também espera que a demanda global continue forte pois não há previsão de entrada de novas capacidade, nem paradas de suas plantas esse ano (somente em 2022) e há uma carteira de pedidos.

A Klabin disse que o aumento de 34% da receita líquida no 1T21 foi devido ao crescimento do volume de vendas, exportação e dólar, e de 22% desconsiderando a receita adicional proveniente das unidades adquiridas da International Paper (IP).

O market share da Klabin chegou a 24% com a compra de ativos da International Paper e a companhia disse que ele deve ser mantido e que não avalia novas aquisições no momento após três grandes aquisições nos últimos anos.

O aumento da dívida, em dois bilhões, de R$ 19,8 bilhões em dezembro, para R$ 21,7 bilhões em março, foi explicado pela variação cambial. A alavancagem no final do trimestre era de 4,0 vezes.

Os executivos disseram que as paradas de Monte Alegre tiveram custos de R$ 30 milhões e R$ 96 milhões, em 2020 e neste ano.

O fluxo de caixa livre nos últimos doze meses foi de R$ 4,5 bilhões, com rendimento de 17,4%.