Kashkari diz que Fed tem ferramentas para controlar inflação

O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari / Foto: Fed Minneapolis

São Paulo – O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed) de Minneapolis, Neel Kashkari, minimizou as preocupações com a aceleração da inflação nos Estados Unidos, afirmando que o banco central norte-americano tem ferramentas para conter o aumento de preços caso se mostre persistente.

“Se a Casa Branca estiver errada e se nós estivermos errados, se eu estiver interpretando mal o mercado de trabalho e realmente estivermos com todo o potencial e essas leituras de inflação vieram para ficar, o Federal Reserve tem as ferramentas para ajustar as taxas de juros para manter a inflação sob controle e para evitar que saia do controle “, disse e,e em entrevista à CNN.

A reabertura econômica e gargalos de oferta têm feito a inflação nos Estados Unidos disparar. Muitos membros do Fed, no entanto, dizem que essa é uma aceleração transitória e que os preços devem voltar a cair no país. O mercado, porém, teme que a inflação mais alta force o banco central a elevar a taxa de juros – hoje perto de zero – antes do esperado.

Kashkari, que este ano não tem direito a voto, afirmou ainda que o Fed que garantir uma recuperação plena do mercado de trabalho. A estabilidade de preços e o emprego máximo fazem parte do mandato duplo do banco central norte-americano.

“Demorou dez anos para reconstruir o mercado de trabalho [após a crise financeira] e não podemos ter outra recuperação de dez anos. Embora eu aprecie o fato de que algumas pessoas estão realmente preocupadas com a inflação, elas não pareciam tão preocupadas quando milhões de norte-americanos estavam nas linhas secundárias da última recuperação”, afirmou.

Os comentários de Kashkari referem-se às recentes declarações do ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, alertou o Fed sobre a complacência nesta frente e deseja que ele retorne a um sistema no qual usa a política monetária para interromper a inflação antes que ela aceleração, em vez de seguir seu novo regime de esperar que a inflação indesejada apareça antes de reagir.

Em agosto do ano passado, o Fed alterou sua estratégia para a inflação, permitindo que a taxa supere a meta de 2% para compensar períodos em que esteve abaixo desse patamar. Na ocasião, o banco central também indicou que não usaria mais a queda da taxa de desemprego como gatilho para o aumento dos juros.