Itaú Unibanco estuda transformar fatia da XP em nova empresa

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Fachada de agência do Itaú. (Foto: Thomas Hobbs/Flickr)

São Paulo – O Itaú Unibanco estuda transformar seu investimento na XP em uma nova companhia e vender parte da fatia que detém na corretora, segundo um comunicado enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As discussões sobre o assunto estão em “estágio avançado”, mas a cisão só seria concretizada a partir do ano que vem.

De acordo com o documento, o Itaú Unibanco segregaria a linha de negócios em uma nova sociedade “com a versão de parte do seu patrimônio, representada por ações representativas de 41,05% do capital da XP”. Os acionistas do Itaú Unibanco receberiam ações da nova companhia, que teria capital aberto e passaria a ser parte do acordo de acionistas da XP.

O documento diz também que o Itaú Unibanco pode vender uma fatia correspondente a 5% do capital social da XP e que isso aumentaria seus índices regulatórios de solidez financeira.

“Referida venda, se concretizada, e a depender das condições aplicáveis de mercado, poderá ser realizada por meio de uma ou mais ofertas públicas realizadas na Nasdaq ou em qualquer outra bolsa de valores na qual a XP tenha suas ações ou certificados de suas ações listados”, afirmou.

HISTÓRICO

O Itaú Unibanco fechou um acordo em 2017 para comprar uma fatia de 49,9% do capital social da XP – equivalente a 30,1% das ações ordinárias – por R$ 6,3 bilhões. O contrato previa a possibilidade de aumento na participação do banco na corretora para até 62,4% do capital social total (equivalente a 40,0% das ações ordinárias).

Também ficou acertada a criação de um acordo de acionistas que deu ao Itaú Unibanco direito de indicar dois dos sete membros do Conselho de Administração da XP e em 2018 o Itaú Unibanco assumiu compromisso perante o Banco Central de não adquirir o controle acionário da XP Holding durante oito anos.

Hoje, durante teleconferência, o presidente-executivo do banco, Cândido Bracher, disse que o plano de comprar uma participação adicional de 11,5% no capital social da XP continua de pé. “São 11,5% que nós deveremos adquirir em 2022. Essa é uma aquisição
mantida as condições atuais, é feita a um preço muito interessante”, disse.

Perguntando se as ações podem ser transferidas para a nova companhia que deve ser formada, ele disse que isso será decidido pela nova administração do banco.