Internação por síndrome respiratória grave dispara em relação a 2019

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Imagem microscópica do coronavírus
Imagem microscópica do coronavírus causador da COVID-19. (Foto: C.S. Goldsmith e A. Tamin/CDC)

São Paulo – O número de internações hospitalares por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) quadruplicou em 2020 em relação ao mesmo período de 2019. O aumento foi mais significativo ao longo do último mês, e embora mais de 80% dos casos ainda esteja sem diagnóstico, a maior causa das internações até agora é a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, de acordo com o Ministério da Saúde.

Segundo um boletim publicado no fim de semana, as hospitalizações por SRAG do início do ano até 11 de abril chegavam a 37.378 – número 310% maior que o observado no mesmo intervalo do ano passado. Deste total, 12% (ou 4.436) foram diagnosticados como sendo casos do novo coronavírus, porém mais de 28.500 seguem com causa indeterminada.

Outras doenças, como as gripes A e B, também podem causar a SRAG e estão entre os motivos que levaram às internações, mas têm uma incidência bem menor. Nas últimas sete semanas, enquanto foram diagnosticados os 4.436 casos de covid-19 entre as internações, foram observados 1.544 casos provocados por outros vírus respiratórios.

Se fosse respeitada essa proporção, de praticamente 75% das internações por SRAG terem sido causadas pelo novo coronavírus, haveria pouco mais de 21 mil pessoas internadas por causa da doença, mas sem o diagnóstico. Este número é um pouco maior que o de 20.727 casos confirmados pelo Ministério da Saúde em todo o Brasil até o dia 11 de abril.

O número evidencia o grau de subnotificação da doença no país, algo que já havia sido reconhecido pelo Ministério da Saúde em boletins anteriores e que foi reforçado ontem pelo ministro da Saúde, Henrique Mandetta, durante entrevista ao programa Fantástico, da Globo.

“Não existe capacidade de se fazer uma testagem de 200 milhões de habitantes. E, às vezes, você testa e ele dá negativo, tem que repetir teste várias vezes. A gente vai trabalhando basicamente com trabalhadores que são mais importantes no momento”, disse ele, acrescentando que o nível relativamente baixo de testagem não é empecilho para as ações do governo.

“A gente não está no escuro, porque mesmo com essa testagem, a gente tem modelos matemáticos. Com esses exames que nós fazemos, a gente tem modelos estatísticos, modelos matemáticos que nos permitem dimensionar, qual é o ritmo, para onde está indo, em que bairro está, em que cidade está, se está se deslocando, para qual faixa etária, se está internando quem, qual é a capacidade instalada.”

“Nós temos modelos matemáticos que nos permitem fazer cálculos muito bons, que nos dão muita informação sem testar 100% das pessoas. Não tem receita de bolo, o que tem é: o Ministério da Saúde agrupar isso, e ir mostrando e dizer “tomem cuidado aqueles que estão no nível mais alto de transmissão”. Aí, cada governador, cada prefeito sabe o que está fazendo”, acrescentou.