Inflação supera previsão e deixa investidor preocupado com alta de juros

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São Paulo – A inflação preliminar de outubro atingiu 1,20% na comparação com setembro e deixou os investidores preocupados, visto que a expectativa do mercado era de que o índice apontasse alta menos significativa nos preços – de 0,98%, segundo estimativas colhidas pelo Termômetro CMA.
A leitura mais forte que a esperada para a inflação levou os investidores a esperar mais austeridade na política monetária por parte do Banco Central (BC), que anuncia amanhã a decisão sobre o nível da taxa básica de juros (Selic). Mais austeridade, neste caso, significa juros mais altos, financiamentos mais caros e potencial desaceleração do crescimento econômico.
Com isso, as ações operam em baixa, enquanto o dólar e as taxas de juros futuras sobem, a despeito de dados mostrarem que a economia brasileira gerou 313,9 mil empregos formais em setembro.
Rafael Passos, analista de risco da Ajax Capital, explica que os números de inflação vieram “bem piores” do que o esperado pelo mercado, com pressão em diversas áreas. “Não tem como ter alívio na curva de juros.”.
“O primeiro fator de pressão nas taxas de DI é o quadro fiscal, com a sinalização péssima de mudança na estrutura do teto de gastos”, prossegue. “Aliado a isso temos a pressão inflacionária”.
Para Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos, o resultado da inflação preliminar de setembro coloca mais pressão em cima do Banco Central. O Copom se reúne entre hoje e amanhã para tratar de nova subida da taxa de juros.
“Entendo que a inflação que nós temos já seria suficiente para o BC subir a taxa básica de juros em mais de 100 pontos-base, agora com isso vai ficar ainda mais difícil acredita que o BC vai entregar uma alta menor que 150 pontos-base”, disse.
Passos pensa da mesma forma. Segundo ele, o mercado já tinha precificado 100 bps, em linha com o último comunicado do Copom. “Agora parece que tivemos uma mudança forte, com o mercado trabalhando em cima de 150 ou 200 pontos-base.”
Para o economista da RB Investimento, entretanto, há ao menos uma boa notícia no resultado do IPCA-15: a difusão, que é a quantidade de itens que estão com preços subindo, caiu. “Isso é interessante porque a gente sabe que pressão de energia e combustível se espalha em vários itens da cadeia produtiva. É importante monitorarmos a difusão neste fim de ano para vermos a tendência para 2022”, explica.
Veja como estava o mercado por volta das 13h30 (de Brasília):
IBOVESPA: 106.4421 pontos (-2,09%)
DÓLAR À VISTA: R$ 5,5980 (+0,79%)
DÓLAR FUTURO (NOV): R$ 5.604,00 (+0,75%)
DI JAN 2022: 8,602% (+0,294 pp)
DI JAN 2023: 11,680% (+0,550 pp)
DI JAN 2025: 11,990% (+0,350 pp)