Ibovespa sobe e dólar cai impulsionados por pacto dos poderes por reformas

Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta pelo segundo dia seguido, com ganhos de 1,61%, aos 96.392,76 pontos, refletindo o maior otimismo com o andamento da reforma da Previdência depois de declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e da tentativa do governo de fazer um “pacto entre Poderes”. Dessa forma, o índice descolou da piora das bolsas norte-americanas e voltou a fechar acima dos 96 mil pontos, o que não acontecia há cerca de três semanas, desde o dia 3 de maio (96.007,89 pontos). O volume total negociado foi de R$ 25,6 bilhões, considerado elevado.

Para o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, o tom mais otimista de Maia em relação à Previdência hoje foi “o driver que faltava” para impulsionar o Ibovespa, que tinha alta tímida pela manhã diante de falta de notícias. O presidente da Câmara disse que pedirá ao relator do projeto na comissão especial, Samuel Moreira (PSDB-SP), que entregue seu texto antes da data inicial prevista (dia 15 de junho), para que o tema possa ser votado na Câmara ainda no primeiro semestre.

Mais cedo, o café da manhã marcado pelo presidente Jair Bolsonaro com os presidentes da Câmara, do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, além de ministros como o da Economia, Paulo Guedes, também trouxe notícias positivas. O encontro com os presidentes de outros Poderes mostrou uma tentativa de reaproximação do Planalto e há expectativa de que possa gerar um “pacto pelo Brasil”, depois de conflitos e de manifestações pró-governo no último domingo.

Investidores ainda devem aguardar a possibilidade de votação da medida provisória (MP) 870, que altera entre outras coisas o número de ministérios. Depois ter sido aprovada na semana passada por deputados, a MP precisa ser votada no Senado para não caducar. Na avaliação de Miziara, a votação será um termômetro da base do governo.

Entre as ações, as do setor varejistas, como B2W (BTOW3 6,47%) e Magazine Luiza (MGLU3 5,92%) dispararam e registraram as maiores altas do Ibovespa. Hoje, o Magazine Luiza anunciou uma parceria com a rede de supermercados Carrefour para vender eletrodomésticos e eletrônicos em duas lojas da rede, o que pode ser ampliado posteriormente. O analista de investimentos de um banco nacional também cita que o setor está mais movimentado com rumores de aquisições. “Há especulações e o setor de varejo está mais quente”, disse.

Na contramão, as maiores quedas foram da CSN (CSNA3 -3,96%) e da BRF (BRFS3 -3,81%), que devolvem fortes altas do pregão anterior.

Com a questão da Previdência prevalecendo sobre o humor do mercado recentemente, o Ibovespa descolou das quedas vistas em Wall Street e de fortes perdas das treasuries (títulos públicos norte-americanos). A queda das treasuries levou a queda de ações de bancos, além de continuar a tensão entre China e Estados Unidos.

Nos próximos dias, o analista reitera que a reforma e as votações no Congresso continuarão no foco, com a agenda de indicadores vazia no exterior. Na agenda doméstica, investidores ainda devem ficar atentos a possíveis declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, diante de especulações de cortes da Selic.

Por sua vez, o dólar comercial fechou em queda de 0,29%, cotado a R$ 4,0240 para venda, em dia de otimismo local com o pacto dos três poderes que deverá ser assinado nas próximas semanas pelo executivo, legislativo e pelo judiciário em prol de medidas de interesse da população, como a reforma da Previdência.

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) durante um café da manhã no Palácio da Alvorada. No encontro, ficou acordado a assinatura de um pacto em prol da agenda de reformas do governo.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o documento deverá ser assinado pelos Três Poderes até a semana de 10 de junho e deve mencionar a necessidade de se fazer uma reforma na Previdência. 

O operador de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que nas primeiras horas de pregão, o dólar se descolou do exterior e passou a cair influenciado pelo anúncio do pacto a favor das reformas e da retomada do crescimento, aliado ao avanço das negociações para a aprovação da [medida provisória] MP 870 pelo Senado. “Aumentando as chances de aprovação da reforma da Previdência na Câmara ainda no primeiro semestre”, reforça.

Ao longo do dia, o dólar renovou mínimas chegando a R$ 4,0110 (-0,62%) para venda. Porém, as apostas ainda são de moeda pressionada acima do patamar de R$ 4,00.

Amanhã, com a agenda de indicadores esvaziada aqui e no exterior, o diretor da corretora Mirae Asset destaca que o dólar segue com tendência de alta até a reforma da Previdência ser aprovada ou sem previsão de fim da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

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