Ibovespa sobe diante de otimismo de investidores após manifestações pró-governo

Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta de 1,32%, aos 94.864,25 pontos, – no maior patamar de fechamento desde o dia 8 de maio (95.596,61 pontos) -, com investidores vendo o cenário político mais favorável depois das manifestações pró-governo ontem e com as ações da Vale avançando 4% diante da forte valorização dos preços do minério de ferro. O dia, porém, foi de fraco volume financeiro em função de feriado nos Estados Unidos, com o total negociado de R$ 8,6 bilhões.

“O dia foi bem de liquidez bem mais fraca. Em média, o volume tem sido de R$ 14, R$ 15 bilhões e como os mercado dos Estados Unidos e Reino Unido ficaram fechados não tivemos muita contaminação da guerra comercial, o que fez a cena política prevalecer”, disse o especialista em ações da Levante Investimentos, Eduardo Guimarães.

Segundo o especialista, as últimas votações no Congresso na semana passada já trouxeram mais otimismo, que foi mantido após as manifestações do último domingo. “Acredito que acabou surpreendendo a quantidade de pessoas, o tom foi positivo, e apesar de idas e vindas, a reforma da Previdência está andando”, afirmou.

Entre as ações, as da Vale (VALE3 3,89%), que têm grande peso no Ibovespa, se destacaram acompanhando a alta de mais de 3% dos preços do minério de ferro na China, que sobem em função da possível redução da produção da mineradora brasileira. Neste fim de semana, foi informado que a movimentação do talude da mina de Barão de Cocais da Vale chegou a 20 centímetros por dia, aumentando o temor de um rompimento.

As ações de siderúrgicas também se beneficiaram da alta dos preços da commodity, como a da CSN (CSNA3 5,63%), que tiveram o maior ganho do índice. Também ficaram entre as maiores altas os papéis da Natura (NATU3 5,09%), que ainda refletem a compra da Avon, anunciada na semana passada, e os da Ecorodovias (ECOR3 5,095).

Na contramão, entre as maiores quedas do Ibovespa ficaram as ações da Cielo (CIEL3 -4,35%), que reviu para baixo projeções e pagamentos de dividendos, e os papéis de frigoríficos, como JBS (JBSS3 -3,06%) e BRF (BRFS3 -1,10%), depois de fortes altas na semana passada.

Para amanhã, a expectativa é de maior liquidez com Wall Street voltando a abrir, sendo que a questão da guerra comercial entre China e Estados Unidos deve continuar no radar. Já na cena doméstica, Brasília seguirá no foco. Apesar de analistas verem um tom mais positivo para o Ibovespa acreditam que será preciso mais notícias positivas para o índice rompa os 95 mil pontos.

O dólar comercial, por sua vez, fechou em alta de 0,47% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0360 para venda, em sessão de baixo volume de negócios impulsionado pela baixa liquidez no mercado externo em decorrência de feriados nos Estados Unidos e em Londres.  

“Apesar do início mais tranquilo devido à repercussão positiva dos protestos pró-governo Jair Bolsonaro, o dólar por aqui foi gradualmente ganhando valor, renovando máximas até o seu fechamento. Amparando esse movimento, o baixíssimo volume de negócios associado à valorização da moeda no exterior, construiu tal trajetória ascendente da moeda”, comenta o analista de câmbio de uma corretora estrangeira.

Ontem, manifestantes de mais de 150 municípios em 26 estados e no Distrito Federal foram às ruas para protestos favoráveis ao governo de Bolsonaro e à pauta econômica pedindo, por exemplo, a aprovação da reforma da Previdência. Porém, manifestantes criticaram os partidos do chamado “centrão”.

Para o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante, o movimento deixou o Congresso sob pressão popular. “Essa pressão pode, contudo, ter efeito contrário e deixar os congressistas magoados com o governo. Ainda não se sabe todos os efeitos desse movimento, mas já é possível dizer que o presidente e sua equipe levaram a melhor nessa primeira batalha”, avalia.

Amanhã, com a agenda de indicadores enfraquecida, a tendência é de que o dólar mantenha a trajetória de alta, comenta o diretor de gestão da Meta Asset, Alexandre Horstmann. Já Cavalcante diz que dependerá da abertura do mercado em Nova York.

“Mas o dólar tem tendência de ficar entre R$ 4,00 e R$ 4,05 até a aprovação da reforma da Previdência, a não ser que tenha alguma batalha entre o governo e o Congresso. Mas tudo indica que as coisas tendem a se calmar. Porém, dependemos muito de fatores externos, principalmente, sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China”, reforça o diretor do Ourominas.

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