Ibovespa e dólar cai com governo anunciando privatização das estatais e influência externa

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – Depois de encerrar quatro pregões seguidos abaixo dos 100 mil pontos, o Ibovespa se recuperou e fechou em alta de 1,99%, aos 101.201,90 pontos, refletindo fortes ganhos das ações de estatais em meio a notícias de privatizações que devem ser anunciadas pelo governo. O cenário externo também deu sustentação para a alta do índice, com investidores mantendo o otimismo após a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não trazer grandes novidades. O volume total negociado foi de R$ 19,2 bilhões.

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu anunciar hoje uma lista com 17 empresas que serão privatizadas pelo governo, sendo que mais detalhes ainda devem ser dados phoje. Durante à tarde, o ministro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Mais, também afirmaram que estudam privatizar a Eletrobras por meio de um projeto de lei. As ações da Eletrobras (ELET3 12,39%; ELET6 11,80%), que já subiam, aceleraram ganhos e registraram as maiores altas do Ibovespa.

As ações da Petrobras (PETR3 5,73%; PETR4 5,95%) foram outras que deram um salto, depois de uma notícia do jornal “Valor Econômico” de que a equipe econômica planeja privatizar a petrolífera até o fim do governo. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, mesmo que a Petrobras não esteja imediatamente na lista das 17 empresas a serem desestatizadas, a equipe econômica prevê esse caminho para a estatal antes do término da atual gestão.

Para o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, a mensagem que de que o governo vai levar adiante a agenda de privatizações animou investidores. “A maioria das empresas que deve estar na lista já era esperada. O que animou o mercado foi a fala do Guedes que para o ano que vem tem mais. Isso mostra que o governo está ‘comprado’ com a agenda de privatizações”, afirmou. Já sobre a Petrobras, avalia que “a notícia veio de surpresa, mas é difícil de acontecer ainda nesse governo”.

Ao lado das estatais, as ações das construtoras Cyrela (CYRE3 8,15%) e MRV (MRVE3 6,01%) ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, depois que a Caixa Econômica anunciou uma nova linha de crédito imobiliário com custo indexado ao Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No final do pregão, as ações da Qualicorp (QUAL3 7,45%) também aceleram ganhos.

Na contramão, as maiores perdas foram das ações da Suzano (SUZB3 -2,41%), da CSN (CSNA3 -2,23%) e da Ambev (ABEV3 -0,74%).

No cenário externo, os principais mercados acionários também fecharam em alta, após a ata do Fed não trazer informações suficientes para mudar expectativas dos investidores. Na avaliação do analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, a ata retomou o que o presidente do Fed, Jerome Powell, já havia falado quando anunciou o corte de juros na última reunião. “Não achei nada demais”, afirmou.

Para o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, os membros do comitê do Fed “reafirmam um ‘ajuste de meio de ciclo’ e não veem um ‘curso pré-definido’ para cortes nos juros”. “Neste contexto, vemos o Fomc dando no curto prazo a continuidade do corte de juros, ainda que em espectros de 25 bp [pontos base]”, disse em comentário publicado pela corretora.

Após a ata do Fed, o mercado deve aguardar agora ata do Banco Central Europeu (BCE) amanhã e o discurso de Powell no simpósio de Jackson Hole, na próxima sexta-feira, quando pode dar uma visão mais atualizada do cenário. O Ibovespa também pode continuar repercutindo o plano de privatizações do governo.

O dólar comercial fechou em queda de 0,51% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0310 para venda, em dia de alívio no exterior, principalmente para as moedas de países emergentes, com investidores precificando possíveis sinais do futuro da política monetária nos Estados Unidos. Porém, a ata do banco central norte-americano, porém, deu poucas pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Para o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, a queda foi “sintonizada” com o exterior em um dia de trégua no mau humor global. “Investidores partiram em busca de risco, motivados pela possibilidade de uma flexibilização mais agressiva por parte do Fed”, comenta. O Federal Reserve (banco central norte-americano) divulgou a ata da última reunião de política monetária na segunda parte dos negócios, com o dólar exibindo poucas oscilações após o documento.

“Os membros do Fed se mostraram preocupados com a desaceleração do crescimento global e com as tensões comerciais [entre Estados Unidos e China], como fatores que podem pesar no crescimento econômico”, comenta Rugik. A equipe econômica do Rabobank acrescenta que a política comercial forçará o Fed a fazer mudanças na política monetária, com corte de juros nos próximos meses. “Provavelmente já em setembro e outubro”, aposta.

Para Rugik, os leilões “conjugados de estreia” do Banco Central (BC), com swap cambial reverso e venda direta de dólar à vista, acabaram provendo maior liquidez ao mercado. Em três operações, o BC ofertou US$ 550,0 milhões.

Amanhã, com a agenda mais fraca de indicadores e passada a ata do Fed, mas as atenções ficam mesmo para a sexta-feira, quando Powell fará discurso no simpósio em Jackson Hole, evento de política monetária, ressalta o analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi. “Os mercados estão agora à procura de orientação”, dizem os analistas do Rabobank sobre o “tão” aguardado discurso do presidente do Fed.

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