Ibovespa cai e dólar sobe em meio a aversão ao risco no exterior

Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

O Ibovespa fechou com leve queda pelo segundo dia seguido, com perdas de 0,47%, aos 93.910,03 pontos, refletindo o cenário de aversão ao risco diante de uma piora da tensão comercial entre os Estados Unidos e China, o que afetou ainda os preços de commodities como do petróleo.

No entanto, o índice mostrou maior resistência do que outros mercados acionários no exterior em função de um alívio na cena política, com investidores vendo um cenário mais favorável para a aprovação da reforma da Previdência depois que a Câmara dos Deputados aprovou medidas provisórias. O volume total negociado foi de R$ 14,2 bilhões.

As bolsas norte-americanas fecharam com quedas superiores a 1% refletindo as menores expectativa de um acordo comercial sino-americano. Ontem, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, disse que ainda não tem planos de ir para Pequim para a próxima rodada de negociações comerciais, além disso, há relatos de que Washington pode sancionar outras empresas chinesas.

Perto do fim do pregão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esperar se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, durante o encontro do G-20, no início do mês que vem, o que não foi suficiente para uma melhora significativa dos mercados.

A guerra comercial também afeta os preços do petróleo, que caíram mais de 4% hoje, o que refletiu nas ações da Petrobras (PETR3 -1,73%; PETR4 -1,73%) que têm grande peso no Ibovespa. Já a maior queda do índice foi dos papéis da Natura (NATU3 -8,54%), que tiveram uma realização de lucros depois de subirem mais de 9% ontem em meio a rumores de que a empresa havia comprado a Avon, o que foi confirmado. Agora, analistas avaliam as vantagens e risco da compra da gigante de cosméticos norte-americana.

Apesar do exterior e quedas da Petrobras e Natura, o Ibovespa mostrou perdas menores do que de outras Bolsas, o que para analistas reflete a cena política doméstica mais tranquila nesta semana. Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, o ambiente deu “uma certa acalmada”, já que foram vistas algumas votações no Congresso, como a medida provisória 870, que reduziu ministérios, e o andamento da reforma tributária. O destravamento da agenda foi visto como bom sinal para o caminho da reforma da Previdência.

As maiores altas do Ibovespa ficaram com as ações da Smiles (SMLS3 5,72%), da Cielo (CIEL3 2,74%) e do BB Seguridade (BBSE3 1,45%).

Nos próximos dias, analistas não descartam que o Ibovespa possa manter um tom mais positivo caso o cenário externo não mostre uma piora e não ocorram novidades negativas sobre a tensão comercial. Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, há possibilidade de uma recuperação, com o índice voltando perto dos 95 mil pontos. “Esses 95 mil vão decidir, será um patamar importante”, afirmou.

O dólar comercial, por sua vez, fechou em alta de 0,14% no mercado à vista, negociado a R$ 4,0480 para venda, em sessão marcada pela aversão ao risco no exterior com a escalada dos conflitos comerciais entre Estados Unidos e China contaminando, principalmente, os mercados emergentes.

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, destaca o desempenho da moeda na esteira do congelamento das conversas “sino-americanas” a respeito da guerra comercial. “Agora, o assunto está mais focalizado na questão da tecnologia 5G e na infraestrutura tecnológica para o novo salto de velocidade da internet móvel, uma briga de foice pela hegemonia dos smartphones”, comenta.

Hoje à tarde, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que espera se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, no mês que vem durante o encontro do G-20. Além de reforçar que este é o momento para os Estados Unidos exigirem acordos comerciais juntos, já que a economia norte-americana está “prosperando”.

No exterior, o ambiente foi negativo para as moedas de países emergentes e ligadas às commodities, também influenciadas pela forte queda nos preços dos contratos futuros de petróleo WTI e Brent. Aqui, o movimento foi de volatilidade frente ao real, oscilando durante toda a sessão nos campos positivo e negativo.

“A divisa passou a perder valor e a registrar mínimas sequenciais motivada por números ruins dos indicadores norte-americanos pela manhã, e pelo ingresso de fluxo comercial pelo exportador no mercado à vista. Já na parte da tarde o dólar voltou a se valorizar com a piora do sentimento de aversão ao risco do exterior”, comenta o diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) mostraram que o setor de serviços caiu a 50,9 pontos neste mês, enquanto analistas previam alta para 53,2 pontos. Já o PMI de atividade industrial recuou para 50,6 pontos, ante previsão de queda para 52,5 pontos.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, a economista da CM, Camila Abdelmalack, sugere espaços para mais altas seguindo o exterior com o clima mais tenso na guerra comercial entre norte-americanos e chineses. Para a economista, na segunda parte dos negócios, a cautela pode prevalecer à véspera do fim de semana e do feriado na segunda-feira nos Estados Unidos e no Reino Unido.

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