Há maior risco de apagão em outubro, diz estudo do BTG Pactual

Os reservatórios podes chegar a um nível crítico de setembro a novembro; estudo também calcula impactos no PIB no caso de racionamento

Foto: Alain Schroeder/União Europeia

São Paulo – Há riscos não desprezíveis de apagão entre setembro e novembro, com o mês de outubro devendo ser o mais crítico em função da queda prevista do nível dos reservatórios das hidrelétricas, afirmou o BTG Pactual em estudo especial sobre a crise hídrica.

Já em relação à possibilidade de racionamento de energia, os analistas do banco avaliam que o risco é baixo já que houve avanços na geração térmica. No entanto, caso ocorra um racionamento mesmo que pequeno, de 5%, por exemplo, o crescimento econômico do País já seria reduzido em cerca de 0,4 ponto percentual (p.p.) este ano.

“O nível de racionamento necessário seria pequeno e, devido aos altos custos de decretá-lo, entendemos que as chances de um racionamento de fato acontecer são bastante baixas. No entanto, existem riscos de ponta (blecaute) não desprezíveis que poderiam ocorrer entre os meses de setembro e novembro, sendo o mês de outubro o mais crítico”, afirmaram os analistas.

Segundo o BTG, o nível dos reservatórios do Sudeste em agosto de 2021 estava em 21%, próximo ao nível de 2001 (23%), ano em que foi implementado racionamento de energia no Brasil. Caso a queda que ocorreu de 2016 a 2020 até novembro aconteça novamente, o nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste seria de 6%. Esse nível seria crítico pois estaria no limite do volume mínimo viável, de acordo com dados da consultoria internacional especializada no setor elétrico, PSR, citada pelos analistas.

O estudo menciona que existem sinais de uma mudança da média pluviométrica nos últimos anos, o que aumentaria o risco operacional do sistema caso este não seja adaptado a essa eventual nova premissa. Esse baixo volume de chuvas tem afetado de forma assimétrica as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Por exemplo, entre 2002 e 2013 o nível dos reservatórios da região Sudeste e Centro-Oeste ficou acima de 50%. No entanto, após 2013 o nível dos reservatórios conseguiu superar a marca de 40% apenas em 2016.

A dinâmica dos reservatórios também é afetada não somente pela escassez hídrica, mas pelo nível de demanda de energia. De acordo com o banco, a consultoria PSR considerou em seu estudo recente um crescimento de 7,5% na base anual da demanda entre os meses de setembro a dezembro.

RACIONAMENTO

O estudo ainda afirma que a consultoria PSR calculou que, em um cenário mais desafiador, haveria 20% de probabilidade de haver um racionamento de energia de 5% entre os meses de setembro e novembro desse ano. No pior cenário calculado pela consultoria em seu boletim do mês de agosto, as medidas governamentais não teriam a eficácia prevista e considera o caso em que a transmissão de energia da região Norte e Nordeste seja menor do que o esperado.

Segundo as estimativas do BTG, esse racionamento de 5% poderia reduzir o crescimento entre 0,3 e 0,4 p.p. para o ano 2021. O cálculo é que para cada 1% de racionamento em um trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) se reduziria em 0,06 p.p. Caso o racionamento aconteça apenas para os meses de outubro e novembro, o crescimento poderia ser reduzido em 0,2 p.p. este ano.

O estudo lembra que, em 2001, o programa de racionamento de energia elétrica no Brasil levou a impactos negativos na atividade econômica. O programa durou entre junho de 2001 e fevereiro de 2002 e tinha como meta a redução de 20% do consumo de energia elétrica. Entre março e dezembro de 2001, o PIB industrial chegou a apresentar queda de mais de 5%.