Guedes terá de explicar contas no exterior, no plenário da Câmara

Brasília – Os deputados aprovaram, nesta quarta-feira, a convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para prestar esclarecimentos, no plenário da Câmara, sobre empresas registradas em seu nome no exterior. Foram 310 votos favoráveis e 142 contrários à convocação de Guedes. A data do comparecimento ainda será marcada pela Mesa Diretora da Câmara.

O pedido foi apresentado pelos líderes dos partidos de oposição. Assinam o requerimento os deputados Alessandro Molon (PSB-RJ), Joenia Wapichana (REDE-RR), Bohn Gass (PT-RS), Luizianne Lins (PT-CE), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Henrique Fontana (PT-RS), Wolney Queiroz (PDT-PE), Marcelo Freixo (PSB-RJ), Danilo Cabral (PSB-PE), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Renildo Calheiros (PCdoB-PE).

A base governista tentou transformar a convocação em convite, alegando que o ministro se colocou à disposição dos parlamentares para esclarecer o assunto. “O ministro se comprometeu a estar aqui voluntariamente, na próxima quarta-feira. Não vejo razão para não adotarmos o procedimento de praxe das comissões, que é transformar a convocação em convite”, afirmou o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Para o deputado José Nelto (Podemos-GO), o ministro terá de “explicar o inexplicável”, no plenário da Câmara. “O ministro da Economia não acredita no país e tem uma conta no paraíso fiscal. O mais grave: a alta do dólar rendeu ao ministro quase R$ 15 milhões. Por que o dólar está alto no país? Porque interessa ao ministro Paulo Guedes”, afirmou.

As informações sobre a existência das contas no exterior foram publicadas no fim de semana pelos veículos Agência Pública, Metrópoles, Poder360 e Revista Piauí. Segundo as reportagens, Guedes possui US$ 9,5 milhões em uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto também era dono de uma offshore semelhante, com US$ 1,09 milhão, e ficou com a empresa aberta até outubro do ano passado.

A manutenção de empresas offshore ou de contas no exterior é legal desde que sejam declaradas à Receita Federal. No entanto, o Código de Conduta da Alta Administração Federal proíbe os funcionários da cúpula do governo de fazer aplicações que possam ser afetadas por políticas de governo. Na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, a situação de Guedes foi arquivada após um ano e meio de análise.