Guedes promete mais estímulo contra Covid-19 se necessário

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Entrevista coletiva do ministro da economia, Paulo Guedes. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

São Paulo – O governo está disposto a gastar mais para ajudar os brasileiros a enfrentar os impactos econômicos causados pela pandemia de Covid-19, mesmo que isso signifique um aumento significativo do déficit nas contas públicas, porque a situação é excepcional, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“O que é mais importante? É justamente entender que isso é um momento emergencial, um ano excepcional. Déficit dá tiro para cima”, disse o ministro durante uma videoconferência promovida pela XP no fim de semana.

“A estratégia é a mesma. Vamos desviar transitoriamente um ano, vamos gastar bastante mais – 4,8%, 5% do PIB este ano -, mas no ano que vem voltamos à mesma estratégia de sempre, com reformas estruturantes”, acrescentou o ministro.

“Se fizermos programa colossal de emergenciais sem sinalizar as [reformas] estruturantes, aí vamos desestabilizar as expectativas, aí começam os juros a subir, começa a inflação a subir, e isso não podemos permitir, certo”, disse ele.

Ele disse que, somando antecipação de pagamentos, diferimento de impostos e estímulos fiscais adotados nas últimas semanas, o governo injetará R$ 700 bilhões na economia e que este montante “pode subir, se for o caso”. “Não tem problema, não vamos deixar os brasileiros para trás”, afirmou Guedes.

O ministro disse ser contrário a medidas que preveem aumento de impostos sobre empresas ou redução do salário de funcionários públicos durante a emergência de saúde pública do novo coronavírus – o causador da Covid-19 como forma de mitigar o impacto fiscal do pacote de medidas emergenciais adotadas pelo governo.

“Embora haja senso de justiça fiscal ou salarial, eu acho que num momento de emergência tirar dinheiro de circulação, seja de funcionário público, seja de empresas, eu não acho que é momento de fazer isso. Prefiro trocar por um congelamento mais longo dos salários, acho que contribui mais para o país do que tirar poder de compra.”