Guedes defende avanço da privatização de estatais, citando Petrobras, Eletrobras e Correios

O ministro da Economia, Paulo Guedes e o presidente da República, Jair Bolsonaro. (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu o avanço do programa de privatizações do governo federal, citando a necessidade de vender estatais como a Petrobras, os Correios e a Eletrobras, antes que percam relevância e valor de mercado. Para Guedes, a criação de estatais é um fetiche compartilhado pelos governos militares e civis brasileiros.

“É um fetiche do passado, que acometeu o governo militar durante 20 anos e os governos civis. O que tinham em comum? O fetiche das estatais”, afirmou Guedes enumerando empresas ainda existentes e extintas, como a Petrobras, a Eletrobras, a Telebras, a Ultragas, a Siderbras e a Portobras. “Nós temos que nos render à evidência. Temos de acabar com esse fetiche”, completou.

A declaração foi feita, nesta quarta-feira, na divulgação da 5ª Certificação do Indicador de Governança IG-Sest – instrumento de avaliação contínua das estatais federais, que verifica o cumprimento de dispositivos legais, infralegais e de boas práticas de governança corporativa. No total, 60 empresas foram avaliadas, sendo 45 de controle direto e 15 subsidiárias.

Segundo Guedes, estatais que foram vendidas passaram a dar mais lucro e a gerar mais emprego, além de promoverem melhoria nos serviços prestados. O ministro citou as privatizações da Telebras, Usiminas e Vale.

“Ou ajuda a sociedade derrubando os preços e acaba quebrando, como a Eletrobras e a Petrobras, durante o governo passado, ou vira de mercado, bota o preço lá em cima e “aperta o consumidor, que é o que está acontecendo com a Petrobras, não satisfaz ninguém e a bomba fica no colo do governo”, afirmou. Guedes disse que, além disso, há o risco de corrupção nas estatais, como ocorrido nos governos petistas com a Petrobras.

ESTADOS UNIDOS

O ministro destacou que a economia dos Estados Unidos, por exemplo, não é baseada em estatais, mas em pequenas, médias e grandes empresas privadas. “Onde estão as estatais americanas? Cadê a empresa de petróleo deles? Cadê a empresa de mineração deles? Cadê a correspondente da Petrobras? Da Vale? Não tem”, disse.

Guedes citou também a China. “Temos que aprender. Os chineses aprenderam. Do ponto de vista político, ideologicamente dizem que são socialistas, mas são capitalistas selvagens. Estão privatizando tudo. Estão vendendo tudo. Eles privatizam aos lotes”, afirmou.

O ministro alertou porém que o desafio do governo é cuidar do patrimônio da União, inclusive criando o Ministério do Patrimônio da União para administrar esses ativos. Segundo Guedes, a União tem hoje imóveis estimados em R$ 1,2 trilhão e as estatais têm valor de mercado de R$ 800 bilhões.

Empresas públicas como a Eletrobras, os Correios e a Petrobras, na avaliação do ministro, correm o risco de se tornarem irrelevantes. A Eletrobras, segundo ele, não tem capacidade para investir o necessário para o fornecimento de energia e os Correios estão perdendo mercado, pois hoje não se envia mais cartas e a parte de logística, na iniciativa privada, está mais avançada.

Já a Petrobras, que explora combustíveis fósseis, com o crescimento do movimento verde no mundo, também tende a perder espaço e valor. “Ou vende ou perde valor. A Petrobras também. A Petrobras é importante privatizar”, completou. O presidente Jair Bolsonaro já disse que pediu ao ministro um estudo sobre a privatização da Petrobras.