Governo precisa cuidar da população e da situação fiscal, diz Campos Neto

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Roberto Campos Neto, Presidente do Banco Central do Brasil, apresenta o Balanço da Agenda BC#. (Foto: Raphael Ribeiro/ BCB)

São Paulo – O Brasil precisa cuidar da população mais vulnerável aos efeitos da pandemia de covid-19, mas não pode descuidar da situação fiscal, afirmou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, durante um evento promovido pela Bloomberg.

“O Brasil fez o que podia. Fizemos um programa maior que o de países emergentes, maior que o de alguns países desenvolvidos, e desenvolvemos programas de crédito para atender empresas médias e pequenas”, disse ele.

“Temos duas limitações, as 20 a 25 milhões de pessoas que precisamos cuidar e sobrevivem de transferências, e as limitações fiscais que sabemos ter. Se não tomarmos cuidado vamos perder a credibilidade e voltar aonde estávamos no passado, e isso provavelmente vai nos forçar a ter juros altos”, afirmou Campos Neto.

Ele acrescentou que o Congresso está demonstrando compreender a necessidade de controlar os gastos públicos, fazendo referência à decisão da Câmara dos Deputados de manter o veto do presidente Jair Bolsonaro a reajustes a alguns servidores públicos durante a pandemia.

“Acho que teve demonstração clara que todos entendem a limitação que temos em termos fiscais, e digo no caso do BC que não somos o motorista, somos o passageiro, o motorista é o fiscal. É impossível ter juros baixos e inflação baixa sem disciplina fiscal”, afirmou.

O presidente do BC ressaltou que, diferentemente de outros país, no Brasil as medidas de estímulo e as exceções às regras de controle fiscal têm data para acabar – 31 de dezembro, quando está previsto o fim da situação de emergência decorrente da covid-19.

“Toda medida que você cria [no Brasil] tem tempo para acabar. Criamos um grupo separado de medidas no Congresso e termina em dezembro. Muitos países agora terão que ir ao Congresso para reverter”, afirmou, acrescentando que em 2021 o governo terá, além da reintrodução dos limites fiscais, o fim das medidas de apoio, o que força uma saída ordenada do atual cenário de estímulos.

“As pessoas estão preocupadas em quão organizada será a saída. No Brasil será organizada porque tem data para acabar”, disse Campos Neto, acrescentando que tem falado com pessoas no Congresso e que a sinalização é de que o prazo de 31 de dezembro será mantido.