Governo de Trump anuncia nova rodada de sanções contra o Irã

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Foto: Freeimages.com/ xbauerx

Por Carolina Gama

São Paulo – O governo norte-americano anunciou oficialmente a imposição de uma nova rodada de sanções contra o Irã, que tem como alvo oito autoridades sêniores próximas ao aiatolá Ali Khamenei e a indústria de metais iraniana. As punições, que já haviam sido antecipadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são uma resposta de Washington ao ataque de Teerã a bases do país no Iraque.

As sanções foram apresentadas em entrevista coletiva na Casa Branca pelos secretários de Estado, Mike Pompeo, e do Tesouro, Steven Mnuchin. Ambos destacaram que novas medidas devem ser adotadas caso o Irã prossiga com o que chamaram de comportamento desestabilizador no Oriente Médio.

“A nova rodada de sanções acontece em duas fases. A etapa secundária dependerá da manutenção ou não do comportamento atual do Irã”, disse Mnuchin. “As sanções impostas até aqui têm se mostrado muito efetivas. Sem essas sanções, o Irã teria acumulado receita suficiente para seguir com seu comportamento agressivo. Agora, Teerã precisará fazer escolhas difíceis: apoiar o terrorismo ou restaurar a economia”, acrescentou.

A escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã ganhou novos contornos depois que um ataque aéreo conduzido por forças norte-americanas no Iraque matou na semana passada o comandante Qassem Soleimani, líder das forças Quds – uma ala da Guarda Revolucionária do Irã – e um dos homens fortes do regime dos aiatolás. Em resposta, Teerã disparou uma dezena de mísseis contra bases norte-americanas no Iraque na última terça-feira.

“O governo tem informações de um ataque iminente à embaixada dos Estados Unidos no Iraque”, disse Pompeo, acrescentando que Soleimani havia traçado planos para atacar várias embaixadas ao redor do mundo.

AS NOVAS SANÇÕES

O Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês) do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos tomou medidas contra oito altos funcionários do regime iraniano que, segundo Washington, avançaram nos objetivos desestabilizadores, bem como os maiores fabricantes de aço, alumínio, cobre e ferro do Irã, que coletivamente geram bilhões de dólares anualmente.

Segundo comunicado, a ação do Tesouro norte-americano inclui Ali Shamkhani, do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Secretário do Irã; Mohammad Reza Ashtiani, chefe do Estado-Maior Adjunto das Forças Armadas Iranianas; e Gholamreza Soleimani, chefe da milícia Basij do Corpo de Guardas Revolucionário Islâmico (IRGC).

Além disso, o Tesouro norte-americano designou 17 produtores iranianos de metais e empresas de mineração; uma rede de três entidades sediadas na China e nas Seychelles; e uma embarcação envolvida na compra, venda e transferência de produtos metálicos iranianos, bem como no fornecimento de componentes críticos de produção de metais aos produtores iranianos.

Simultaneamente às designações de hoje, Trump assinou um novo decreto que visa fontes adicionais de receita usadas pelo regime iraniano para financiar e apoiar seu programa nuclear, desenvolvimento de mísseis, redes de terrorismo e influência regional.

Especificamente, o decreto autoriza Mnuchin, em consulta com Pompeo, a impor sanções contra pessoas que operam ou fazem transações com setores adicionais da economia iraniana, incluindo construção, mineração, manufatura e têxteis.

CHINA

Mnuchin garantiu a efetividade das sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã, afirmando que apoiadores de Teerã como Rússia e China não estão ajudando o regime com a compra de produtos cujos setores estão na lista negra de Washington.

“As estatais chinesas não estão comprando petróleo do Irã”, disse.

Nos últimos meses, os Estados Unido vêm intensificando suas ações sobre o comércio de petróleo iraniano. Em setembro, o departamento do Tesouro norte-americano sancionou várias empresas petroleiras chinesas, incluindo a Cosco, pelo transporte de petróleo iraniano.

O governo de Donald Trump reintroduziu sanções sobre o setor petrolífero, financeiro e de embarcações iraniano em 2018 na sequência da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear firmando entre o Irã, três potências europeias, a China e a Rùssia em 2015. O pacto visava limitar o programa nuclear iraniano em troca da suspensão de sanções econômicas.

As sanções norte-americanas de 2018 também tiveram como alvo a aviação, o ouro, o aço, os automóveis, a indústria de software, os seguros e o mercado de câmbio do Irã. As punições de hoje têm como alvo o setor de metais – aço, alumínio, cobre e ferro – além de poderem incluir a indústria têxtil e da mineração.