Gerdau prevê ciclo longo de crescimento nos próximos dez anos

Foto divulgação: Gerdau

São Paulo – A Gerdau espera resultados ainda melhores nos próximos trimestres, devido à forte demanda no Brasil e nos Estados Unidos em diversos segmentos e à expectativa de um ciclo longo e duradouro de investimentos nestes mercados nos próximos anos.

“Os números da companhia [veja os destaques no final do texto] representam a força do aço como insumo essencial. Teremos um ciclo longo de crescimento nos próximos anos com base em fundamentos muito sólidos”, disse Gustavo Werneck, presidente da companhia, em teleconferência para investidores.

O CEO citou diversas projeções para embasar sua expectativa, como a de consumo de três a quatro milhões de toneladas de aço nos Estados Unidos, investimentos em infraestrutura em todos os mercados de atuação da empresa, o crescimento esperado em tratores e caminhões pela indústria automobilística no Brasil e da construção civil, indústria e imóveis no mercado nacional.

“Vislumbramos um cenário bastante positivo devido a reposição de veículos leves, setor agrícola e procura de veículos brasileiros no mercado externo, por isso, continuamos a investir no mercado nacional”, afirmou Werneck.

O consumo aparente de aço subiu 32%, as vendas 29%, além de aumento de 4% na construção, com volume de financiamentos, segundo dados do setor, e as entregas da companhia acompanharam esses avanços.

Os investimentos anunciados pelo governo, de R$ 127 bilhões para este ano, a retomada do setor industrial e as projeções de crescimento do setores de construção, imobiliário, varejo também estão no cenário otimista da companhia para 2021.

“Os resultados do último trimestre são resultado de iniciativas realizadas nos últimos anos para tornar a empresa mais leve, que proporcionaram uma economia de US$ 300 milhões por ano”, acrescentou o executivo.

INVESTIMENTOS

Para preparar a companhia para atender a demanda de aços especiais para os próximos dez anos, a Gerdau reiterou a previsão de investir globalmente R$ 3,5 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão em manutenção geral, R$ 862 milhões em manutenção Ouro Branco e R$ 1,1 bilhão em manutenção geral. No primeiro trimestre, a companhia investiu em ativo imobilizado (Capex) globalmente.

A empresa está investindo aproximadamente R$ 1 bilhão na modernização e ampliação de suas operações de aços especiais no Brasil, em linha com as perspectivas positivas de retomada dos setores automotivo e de máquinas e equipamentos. O foco dos investimentos está nas unidades produtoras de aço localizadas em Pindamonhangaba (SP), Charqueadas (RS) e Mogi das Cruzes (SP), que terá sua aciaria reativada no segundo semestre.

Em abril, a companhia começou a reduzir as exportações para atender a demanda dos clientes no Brasil, que teve forte demanda por aços especiais, impulsionado, em parte, pelo segmento de caminhões leves.

Nos Estados Unidos, onde registrou uma forte entrada de pedidos, especialmente no setor de construção, com carteira de pedidos equivalente a três meses de compra, a companhia está investindo cerca de US$ 33 milhões na fábrica em Petersburg, Georgia, em uma nova etapa de modernização que inclui atualização tecnológica do laminador de aços estruturais, com foco na ampliação do mix de produtos e com maior valor agregado.

“Temos boas perspectivas com o programa de investimentos em infraestrutura anunciados pelo governo dos Estados Unidos”, disse o presidente da Gerdau.

Ainda na América do Norte, a companhia fará investimentos na planta de Whitby, no Canadá.

DIVIDENDOS

Apesar das projeções otimistas, a companhia disse que vai manter a política de dividendos em 30% do lucro líquido, mas poderá ser revista ao longo do ano. O CFO avalia que o percentual dos dividendos sobre os juros de capital próprio (dividend yield) “está forte no nível atual”, que subiu para 9,2% nos últimos doze meses encerrados em
março, de 2,1%, no final do ano passado.

A companhia encerrou o trimestre com alavancagem de 0,96 vez, abaixo do patamar estipulado para o ano.

RESULTADOS DE 2020

A Gerdau encerrou o primeiro trimestre com ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 4,3 bilhões, recorde histórico, e com margem de 26,4%, influenciado por crescentes níveis de consumo de aço em todos os países onde a companhia atua, principalmente pelo forte desempenho de construção nos mercados norte-americano e brasileiro.

O ebitda ajustado da operação de negócio América do Norte, por exemplo, dobrou neste trimestre na comparação anual, para R$ 843 milhões, atingindo margem de 14,3%.

O lucro líquido da Gerdau, ajustado pelos efeitos não recorrentes, somou R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre de 2021, enquanto a receita líquida alcançou R$ 16,3 bilhões nos três primeiros meses do ano, um aumento de 77% sobre o mesmo período do ano anterior, com as vendas físicas de aço atingindo 3,1 milhões de toneladas, uma alta de 15%.

A companhia investiu R$ 100 milhões na plataforma Juntos Somos Mais, canal para vender aço pela internet e destacou que as vendas neste canal aumentaram mais de 16 vezes no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.